Congresso do PSD rejeitou estatuto de simpatizante
Durante a manhã, alguns militantes criticaram a marginalização de que são alvo por terem cartão de um partido.
O congresso do PSD rejeitou este sábado a criação do “estatuto do simpatizante”, uma proposta da comissão política votada em separado da proposta geral, durante a votação de alterações aos estatutos do partido.
A votação dos estatutos do partido foi confusa e deu azo a várias reclamações, levando a que o próprio Pedro Passos Coelho subisse duas vezes ao palco para esclarecer o que estava em causa.
O ponto de maior confusão foi quando o congresso aprovou uma proposta da JSD que acabava com a eleição dos órgãos do partido em congresso e instituía a eleição directa de todos os órgãos. A proposta passou, mas Passos Coelho subiu pela primeira vez ao palco para alertar os congressistas sobre aquilo que tinham aprovado.
A votação foi repetida e, por apenas dois votos, acabou por chumbar a proposta da JSD. Mantém-se, assim, a eleição da comissão política e do conselho nacional em congresso.
A segunda vez que o líder social-democrata teve de auxiliar o presidente do congresso, Fernando Ruas, foi a propósito da criação de eleições primárias dentro do partido, outra proposta da comissão politica para posterior regulamentação
E foi assim, com duas ajudas de Pedro Passos Coelho, que Ruas conseguiu terminar a primeira fase das votações dos estatutos. Uma ajuda que o presidente do congresso agradeceu.
A discussão de estatutos continua à tarde, quando os congressistas regressarem do almoço.
Militantes do PSD querem mais protagonismo
Hoje de manhã, sucederam-se as intervenções de militantes sobre a revisão dos estatutos e em várias delas foi notório o incómodo pelo que consideram ser uma diabolização da figura de militante partidário.
Os militantes do PSD querem mais protagonismo e não se querem ver arredados da vida governativa, como se o facto de serem militantes fosse uma menos valia.
“Lá fora, olham para nós como ‘eles do partido’, como se fôssemos uma comunidade à parte, um grupo à parte. Eles os políticos, eles que são dos partidos. Há hoje, portanto, uma sociedade civil e uma sociedade partidária. Os ministros independentes são mais credíveis, os candidatos a Presidente da República entregam os seus cartões de militante e os partidos competem para seduzir a sociedade civil”, afirmou Miguel Luz, da distrital de Lisboa.
Virgínia Estorninho, presença constante nos congressos do PSD, foi ainda mais longe na indignação. “O que somos nós? Não somos sociedade civil? Lá porque temos um cartão de militante, somos criminosos?”, questionou.
Terá sido, precisamente, por conhecer estes incómodos que, à entrada deste segundo dia de congresso, o líder Pedro Passos Coelho prometeu dar mais protagonismo ao partido.




