Especialista prevê mais despedimentos com o travão às reformas antecipadas
A reforma antes dos 65 anos, que o Governo congelou, era um dos principais mecanismos utilizados pelas empresas para a redução de pessoal. Elísio Estanque, especialista na área laboral, considera que está criado um cenário de agravamento.
Em alguns círculos sindicais, começa a debater-se o risco de aumento dos despedimentos por causa da decisão de suspender o regime das reformas antecipadas até ao fim do programa de assistência financeira acordado com a “troika”.
A reforma antes dos 65 anos era um dos principais mecanismos utilizados pelas empresas para a redução de pessoal. Através das rescisões amigáveis, muitos trabalhadores aceitavam sair por estarem perto da idade da reforma.
Com o fim das reformas antecipadas, pode haver um maior agravamento dos despedimentos, considera Elísio Estanque, especialista na área laboral. “Por um lado, o despedimento está relativamente facilitado e também o custo ao nível de indeminizações está facilitado com a nova legislação”, diz.
“Perante isto, acredito que a decisão de impedimento das reformas antecipadas, conjugada com o cenário em que vivemos, de dificuldades para as empresas e também naturalmente para os trabalhadores, pode ter consequências no agravamento dos despedimentos numa amplitude muito maior do que aquela que já está a acontecer desde há uns alguns tempos a esta parte”, observa o especialista.
Várias companhias com planos de reestruturação em curso vão ser afectadas por esta decisão do Governo, como o caso das empresas públicas de transportes, que podem enfrentar dificuldades acrescidas.




