Portugueses optam por estradas secundárias para fugir às portagens
O especialista Arlindo Donário e o presidente da Associação Portuguesa de Seguradoras, Pedro Vale, mostram preocupação com aumento dos acidentes resultado da necessidade de poupança dos condutores.
A crise está a levar os portugueses abandonar as auto-estradas e a optar por estradas secundárias para evitar o pagamento de portagens. É uma das conclusões de um estudo sobre o custo económico e social dos acidentes de viação.
Um dos autores do estudo, Arlindo Donário, especialista em sinistralidade rodoviária, considera que esta opção de muitos portugueses pode contribuir para o aumento do número de acidentes nas estradas nacionais e municipais.
“O gastar mais um euro nas portagens é mais difícil para essas pessoas, o que leva a utilizar as outras vias, as municipais e as nacionais. Como são estradas de maior risco, vai levar necessariamente a aumentar os acidentes e as consequências”, explica.
Esta é uma preocupação também partilhada pelas companhias de seguros. Também Pedro Vale, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS) sublinha, contudo, que o aumento do número de acidentes está a ser registado sobretudo nas cidades e envolvendo motos, uma opção crescente entre os portugueses.
“São dois aspectos singulares – um deles tem a ver com esta concentração nas cidades, que leva a muito mais sinistros nas cidades do que fora”, diz o presidente da APS.
“Dois problemas que saltam são as pessoas que utilizam motas e os peões”, sublinha Pedro Vale, acrescentando que “no caso das motas são feridos graves, sobretudo jovens”.
Aumentam mortes por condução sob efeito do alcóol
Portugal foi um dos cinco países da União Europeia onde as mortes na estrada aumentaram entre 2001 e 2010 em consequência da ingestão de bebidas alcoólicas. Arlindo Donário diz que não serve de nada termos leis duras, se depois falha a fiscalização policial e o controlo judicial.
A percepção de que é baixa a probabilidade de aplicação das normas do código da estrada leva aos condutores a infringirem a lei.
Apesar de tudo, Portugal tem nos últimos anos reduzido significativamente a sua sinistralidade rodoviária e essa diminuição no número de acidentes representou para o Estado e para os particulares uma poupança de 1.200 milhões de euros, segundo os autores do estudo sobre os custos dos acidentes de viação em Portugal.




