Marcelo considera declaração de Passos Coelho “desequilibrada”
Professor recusa que primeiro-ministro tenha falta de sensibilidade, mas diz que lhe faltou “uma palavra de compreensão para o lado negativo de estar desempregado”.
Marcelo Rebelo de Sousa considera “desequilibrada” a intervenção do primeiro-ministro sobre o desemprego e diz que lhe faltou uma palavra de compreensão para o “lado negativo” do que é estar desempregado.
Em Guimarães para uma conferência subordinada ao tema “Solidariedade em Portugal 2012”, o professor e comentador afirmou, este sábado, que Pedro Passos Coelho tem uma “deformação” por ser “muito explicativo”.
O primeiro-ministro apelou, na sexta-feira, aos portugueses que adoptem uma “cultura de risco” e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser “uma oportunidade para mudar de vida”.
Passos Coelho referiu que “estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”.
Hoje, reafirmou que o desemprego é uma chaga social, mas é também uma oportunidade, sendo necessário retirar o estigma do desemprego.
“Sei bem o que disse e mantenho o que disse: o país precisa de retirar aos desempregados o estigma do desemprego. Aqueles que estão nessa situação terão da parte do Estado o apoio devido para se prepararem para um melhor futuro, mas precisam também de encarar a situação do desemprego como uma situação que é preciso vencer”, afirmou este sábado, à chegada para um almoço com líderes de juventudes partidárias do Partido Popular Europeu, reunidos em Lisboa.
Na opinião de Marcelo Rebelo de Sousa, ex-líder do PSD, a “intenção [do chefe do Executivo] foi boa”, mas que “faltou um toque” que alterasse o discurso.
“Teve uma intenção boa – estimular jovens a criar microempresas, a serem criativos, a terem iniciativa, a não baixarem os braços, no entanto, a intervenção, feita tal como foi, é incompleta”, defende, em declarações à agência Lusa.
Segundo professor, faltou a Passos Coelho “uma palavra de compreensão para o lado negativo do que é estar desempregado”.
“O ter faltado esse aspecto fez com que ficasse uma declaração desequilibrada”, apontou.
Recusando a ideia de “falta de sensibilidade” por parte do primeiro-ministro, o Marcelo Rebelo de Sousa considera que Passos Coelho padece de “uma deformação”, que já lhe apontou: “É muito explicativo e racional”.




