“Miguel Relvas comportou-se com a correção e a transparência devidas”, diz Passos Coelho
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje não ter dúvidas de que, no que respeita aos serviços de informações, o ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, agiu bem, “com a correção e a transparência devidas”. Por sua vez, o secretário-geral do PS desafiou hoje o primeiro-ministro a esclarecer se há uma nebulosa envolvendo um suposto triângulo serviços secretos, o PSD e interesses privados, dizendo estar em causa o Estado de Direito.
Pedro Passos Coelho fez esta afirmação com Miguel Relvas ao seu lado, na abertura do debate quinzenal no Parlamento, para o qual o Governo escolheu como tema o Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP).
“Quero dizer-vos que, das alegações que li nos jornais e daquilo que conheço e que confrontei com o respetivo ministro, não tenho nenhuma dúvida em dizer que o ministro atuou bem, no sentido em que não teve qualquer interferência neste processo. Não vou aqui proceder à avaliação do mandato do senhor ministro noutras matérias. Nesta matéria, o senhor ministro comportou-se com a correção e a transparência devidas”, afirmou o primeiro-ministro.
Passos Coelho acrescentou que, como primeiro-ministro, nunca recebeu de Miguel Relvas “nenhuma comunicação, nem sobre serviços de informação, nem sobre sugestão para nomeações para serviços de informações”.
Em seguida, o primeiro-ministro assinalou o facto de não ter feito alterações nos lugares dirigentes desses serviços, considerando que essa decisão se revelou acertada: “Por decisão própria do primeiro-ministro, minha própria, não houve qualquer substituição nos lugares dirigentes dos serviços de informações, nem a substituição do secretário-geral que já estava em funções. E deixem-me dizer que o tempo bem mostrou que essa foi a melhor decisão que este primeiro-ministro poderia ter tomado”.
Seguro exige a Passos esclarecimento sobre “nebulosa” do “triângulo” PSD, secretas e interesses privados
Depois da intervenção de Passos Coelho, o secretário-geral do PS desafiou o primeiro-ministro a esclarecer se há uma nebulosa envolvendo um suposto triângulo serviços secretos, o PSD e interesses privados, dizendo estar em causa o Estado de Direito.
“Como foi possível elaborarem-se relatórios sobre jornalistas, em particular o diretor do jornal “Expresso [Ricardo Costa] Como foi possível que tenha sido elaborado um relatório sobre um membro do Conselho de Estado, fundador de um dos partidos estruturantes do regime democrático [Pinto Balsemão] Como se chegou até aqui?” questionou.
Na resposta, o primeiro-ministro frisou que esses supostos relatórios não foram elaborados pelos serviços de informações.
Na sua intervenção, o secretário-geral do PS disse que tratará a matéria das “secretas” com “sentido de Estado”, antes de referir que levantou esta questão junto do primeiro-ministro no início da legislatura quando o ex-presidente da TVI Bernardo Bairrão saiu da lista de potenciais secretários de Estado do atual executivo.
“O senhor primeiro-ministro disse-me que não há nenhum caos Bairrão e disse que não tinha havido nenhuma informação proveniente dos serviços de informação da República que tivesse proporcionado uma alteração do convite feito ao dr. Bernardo Bairão, mas o diretor do jornal Expresso, dias depois, voltou a escrever que tinha havido. Isto precisa de ser clarificado”, acentuou o líder socialista.
Ainda de acordo com Seguro, precisa de ser clarificado de que, por ocasião da demissão de Silva Carvalho de diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), o então secretário-geral do PSD [Miguel Relvas] tinha sido previamente informado.
“Temos que cooperar no sentido de rapidamente, com serenidade, esclarecer estas situações, afastar todas as nuvens, apurar as responsabilidades e restituir a credibilidade aos serviços de informações. Não está só em causa a falta de confiança que os portugueses vão sentindo, está também em causa a liberdade e os direitos das pessoas que foram alvo de inquéritos”, acrescentou António José Seguro.




