O polvo enganou-se. Portugal venceu a Dinamarca.
Foi pelo caminho mais longo que Portugal chegou à vitória. Sofrimento com herói improvável. Varela decisivo. Onde anda o goleador do Real Madrid? Valeu que a equipa acreditou até ao fim.
Faltou um tentáculo mendinho ao Paulo. Talvez o polvo adivinho só tenha contado com o desperdício de Cristiano Ronaldo e tenha esquecido Silvestre Varela e a força de acreditar de uma equipa. Não foi brilhante a prestação portuguesa, foi desequilibrada, mas acabou por ser suficiente. Irreconhecível na primeira parte, mas pelos melhores motivos, a selecção nacional aproveitou as oportunidades criadas.
Pepe acertou a mira. O homem de Maceió, que atirou à barra com a Alemanha, usou a cabeça para inaugurar o marcador. Foi um canto de Moutinho. De canto, num lance aéreo, frente aos gigantes da Dinamarca. Improvável? Aconteceu.
As operações estavam totalmente controladas e Hélder Postiga – o avançado que levou injecção de moral do treinador – respondeu com um golo à ponta-de-lança. Nani assistiu, o caxineiro concluiu, calando, uma vez mais, todos os críticos. Os adeptos estavam empolgados, os jogadores talvez demais. Paulo Bento já tirava notas sobre o discurso para o intervalo, quando lá apareceu Nicklas Bendtner. Incrível a persistência deste goleador dinamarquês. Teima em marcar a Portugal. Aproveita tudo que lhe é oferecido. Então se for com a baliza deserta… ainda melhor.
Os portugueses saíram cabisbaixos para o balneário, apesar da vantagem no marcador. Os dinamarqueses regressaram de cabeça bem levantada, no segundo tempo. A selecção voltou a ser aquela, a da bola que não entra e com um protagonista de gabarito. Cristiano Ronaldo dispôs de, pelo menos, duas grandes, enormes, oportunidades. O goleador do Real Madrid – marcou 60 esta época – mas não aparece na selecção nacional.
A dez minutos do fim da partida, o pesadelo Bendtner voltou a tornar-se real. Pepe estava, outra vez, como com a Alemanha, no sítio certo, mas foi o gigante louro que chegou à bola. Nas costas do central, cabeceou para o fundo da baliza de Patrício.
Parecia que tudo estava definido. Ronaldo não encontrava a inspiração necessária. Nélson Oliveira estava em campo, mas não mexia com a partida. Ainda assim, a equipa tentava tudo para chegar à vitória. Coentrão assumiu responsabilidade pelo corredor esquerdo, tirou cruzamento e Varela foi a sombra de Ronaldo. CR7 falhou e o avançado do FC Porto, à segunda, com o pé direito, salvou Portugal.
Um verdadeiro carrossel de emoções que ainda teve mais um sobressalto na área portuguesa. Agger já jogava a ponta-de-lança e rematou forte à baliza de Patrício. Foi ao lado e o palpite do Paulo também.




