Três em cada 10 professores têm um esgotamento
Estudo demonstra que são os docentes do ensino secundário que apresentam valores superiores nos níveis de stress.
Trinta por cento dos professores enfrentam um esgotamento associado a elevados níveis de ansiedade e depressão, revela um estudo realizado por duas investigadoras do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).O estudo demonstra que são os docentes do ensino secundário que apresentam valores superiores nos níveis de stress e que têm mais tempo de carreira.“Nesta amostra, os professores que estão em esgotamento ou ‘burnout’ [distúrbio psíquico de carácter depressivo] são professores mais velhos na carreira, efectivos, que já passaram por algumas reformas, por algumas políticas, umas vezes com mais motivação e outras com menos e que, neste momento, estão cansados. Além disso, são professores que têm bastante experiência profissional e são professores do ensino secundário”, explicou à Renascença Ivone Patrão, uma das investigadoras deste estudo.As causas que levam a esta situação são várias, nomeadamente, a sensação de perda de prestígio da profissão de professor, questões burocráticas e relacionadas com a indisciplina e desmotivação dos alunos.Os professores do ensino primário ou básico, uma parte deles, também sofre de esgotamento, mas por razões específicas, como o facto de serem “o pilar, o único professor”. “São eles que têm que estar em contacto diário com os alunos, com os pais, e são eles que têm que fazer toda a gestão da sala de aula, sublinha Ivone Patrão.As investigadoras recomendam a intervenção na promoção da saúde mental dos docentes, porque o “professor é a chave” na universo escolar.O estudo foi apresentado esta quinta-feira, em Lisboa, durante um colóquio internacional de psicologia e educação.




