Euro 2012: e no fim, ganha a Espanha

Espanha 4-0 Itália. A nova ordem mundial do futebol está, definitivamente, pintada de “rojo”. A selecção que perdurará para a eternidade do desporto é campeã europeia, sem ponta de lança a tempo inteiro. E após uma final em que tudo correu na perfeição.

Quão reforçado estará o ego de Vicente Del Bosque por estas horas? Afinal, a Espanha é campeã europeia sem ponta de lança a tempo inteiro.

Pronto, pode parecer exagero, mas a realidade é que só Fernando Torres e Negredo pouco jogaram na frente em todo o Europeu. Fabregas dominou na nova estratégia que muitos vaticinavam não ter futuro.

O seleccionador encarou a crítica com um sorriso permanente nos lábios, com a consciência de quem sabe o que está a fazer, com o “fair play” de quem reconhece não ser um qualquer mestre da táctica, disposto a escutar quando necessário.

Já dizia Pep Guardiola: “Esta Espanha ficará na história e não precisa de avançados para ganhar”. Na “mouche”, “mister”. A “roja” entra mesmo para os anais da história.

E bem que o pode agradecer a dois homens, improváveis decisores de uma final totalmente dominada por “nuestros hermanos.

O lado multidisciplinar da coisa


Confesse lá: esperava a cabeçada imparável de David Silva, na posição de ponta de lança (lá está), logo aos 13′, com assistência esforçada de Arbeloa? Ou a arrancada fulgurante e imparável do lateral Jordi Alba, qual extremo improvisado, quando o “maestro” Xavi Hernández o lançou para a glória, aos 41′?

Esta Espanha já não é previsível, no sentido positivo da palavra. Agora, alia a qualidade técnica à cautela, torna-se mais inteligente, mais matreira. Digna de uma equipa italiana.

Cesare, que se passou?
A propósito, é preciso perguntar a Cesare Prandelli que falta de coordenação defensiva foi aquela evidenciada hoje pela “squadra azzurra”?

A arma mais forte dos transalpinos falhou a toda a linha. Também podemos argumentar que a mobilidade dos homens de ataque da Espanha, com ocupação constante dos espaços e trocas posicionais sublimes capazes de enervar um qualquer mortal. O ataque em bloco, sem espaços entre-linhas, garantindo a rápida recuperação de bola e a carga insistente sobre o adversário.

São tudo atenuantes, mas a realidade é que a Itália fica a dever a desvantagem de dois golos ao sector que mais garantias deu em todo o Europeu.

Sorte e azar à roda em Kiev


Prandelli não fugiu à sua filosofia de jogo, arriscou quando achou que o devia fazer, perante uma considerável desvantagem de dois golos, e deu-se mal com a aposta.

Thiago Motta durou dois minutos em campo, antes de contrair uma lesão muscular. A Itália já tinha esgotado as alterações, não havia volta a dar.

O momento era de maior pressão sobre uma Espanha já em modo de gestão. O seleccionador de Itália olhou para o chão e regressou ao banco, derrotado e conformado com o triste fado de uma final em que tudo correu mal.

Hora de ir ao banco


O pesadelo de uns é o sonho de outros. Contra dez é mais fácil, claro, mas também é preciso mestria e matéria-prima. Del Bosque olha para o lado, no banco de suplentes, e pode tirar um coelho da cartola a qualquer altura. Foi o que fez.

A categoria da finalização de Torres, após mais uma assistência primorosa de Xavi Hernández, e a oferta de “El Niño” ao companheiro Juan Mata encerraram as contas da decisão.

Vamos a balanço


A máquina não parou, não deixou de tocar. Esta máquina já está na história do futebol. Conquistou dois Europeus consecutivos, com um Mundial pelo meio. Nada do género tinha sido feito, até agora.

No fim, afinal, ganha mesmo a Espanha. É a nova ordem mundial.

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