UGT diz que tudo aponta para que desemprego chegue aos 17% no final de 2012

O secretário-geral da UGT, João Proença, alertou hoje que o desemprego em Portugal já está em “níveis nunca atingidos” e estimou que, até final do ano, a taxa possa ser “superior a 17 por cento”.

“O desemprego não para de crescer. É evidente que não só o desemprego atinge hoje níveis que nunca tinham sido atingidos em Portugal, como tudo aponta que, até final do ano”, vá “aumentar muito mais”, disse.

No final deste ano, “teremos um desemprego superior a 17 por cento”, vaticinou João Proença.

Tal “significa, na prática, um em cada seis portugueses estar desempregado, um em cada três jovens estar desempregado”, precisou.

O secretário-geral da UGT falava aos jornalistas em Évora, à margem da Universidade de Verão do PS, na qual intervém esta tarde como orador.

Questionado sobre os dados divulgados hoje pelo Eurostat, de que a taxa de desemprego em Portugal atingiu os 15,7 por cento, em julho, João Proença frisou que estes valores devem levar à reflexão, sobretudo quando a ‘troika’ efetua a quinta avaliação ao programa de ajuda financeira ao país.

“Isto deve levar-nos a refletir sobre a situação atual” e, “no momento em que estamos em negociações com a ‘troika’ (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu)”, o Governo deve “colocar claramente esta questão em cima da mesa”, defendeu.

O executivo liderado por Passos Coelho, segundo João Proença, “não pode continuar a ignorar a dimensão do crescimento económico e do emprego”.

“O Governo não pode continuar centrado, única e exclusivamente, na redução do défice e nas políticas d austeridade”, já que estas medidas “estão a conduzir a uma situação socialmente insustentável”.

E, ao mesmo tempo, este caminho, frisou, está também a introduzir “graves riscos” de o país entrar “num ciclo recessivo infernal”, ou seja: “Mais sacrifícios mais crise, mais crise mais sacrifícios”.

    O secretário-geral da UGT alertou ainda que, ou “o Governo inicia de imediato um ataque forte em termos de promover o crescimento económico”, ou, então, “o crescimento económico continua negativo e o desemprego a aumentar”.

“Este ano, o crescimento económico” vai representar, “pelo menos”, um “decréscimo de três por cento” do Produto Interno Bruto (PIB), o que significa que “o desemprego está a aumentar mais”.

As empresas “não têm confiança no futuro e, por isso, despedem mais do que até seria necessário e admissível”, enquanto o Governo, “ao mesmo tempo, continua a centrar as políticas na austeridade, na redução do défice, no corte das despesas, no aumento das receitas”, afirmou.

“Isto não é suficiente. Tem que haver políticas de crescimento económico”, avisou João Proença.

O líder da UGT aludiu ainda à questão do acesso ao financiamento por parte das empresas, defendendo que este é “fundamental”, mas “só faz sentido” se existirem, em simultâneo, “outras medidas de crescimento” implementadas pelo Governo.

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