Vilar de Perdizes: Congresso de Medicina Popular impulsionou a criação de restaurantes, hospedarias e padarias
As 25 edições já registadas do Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, em Montalegre, trouxeram «a reboque» a criação de restaurantes, hospedarias, padarias, produtores de licores, chás, compotas e, até, uma discoteca.
A aldeia de Trás-os-Montes, que acolhe a partir de hoje a 26ª edição do congresso, é atualmente uma localidade de pequenos mas importantes negócios para as suas gentes, que aliam a sabedoria popular à terra, ervanária e crença.
O congresso trouxe alguma modernidade a Vilar de Perdizes, mas não multibanco, por isso, quem visitar a aldeia entre hoje e domingo terá de trazer dinheiro ou percorrer 17 quilómetros até Montalegre.
O presidente da junta de freguesia, João dos Santos, explicou à agência Lusa que já tentou instalar um multibanco, mas sem sucesso.
E, advertiu: quem vier ao congresso tem de vir “prevenido”.
Apesar de reconhecer a visibilidade que o evento trouxe à aldeia, o responsável frisou que, nos primeiros anos, o movimento de pessoas era “bem maior”.
“Hoje, está isto mais fraco”, disse.
Ana Martins, proprietária de um dos três restaurantes existentes, revelou ter preparada uma “ementa especial” com pratos típicos para os visitantes.
O congresso, realçou, foi “uma maravilha” para a aldeia e, graças ao evento, muita gente criou o seu próprio negócio.
À espera de “casa cheia”, Ana Martins reconhece “todo o mérito” ao padre Fontes, mas considerou que está na hora de “gente nova da terra” pegar na organização para que o congresso perdure.
Guiomar Bernardes, dona de uma hospedaria/restaurante, revelou ter “lotação esgotada”.
O evento, entendeu, colocou Vilar de Perdizes no mapa de Portugal, mas a aldeia tem ainda muitas potencialidades por aproveitar.
Por isso, acrescentou, se as pessoas fossem mais organizadas e dinâmicas poderiam “ganhar muito mais”.
O congresso potenciou em Isabel Pita, produtora de licores, compotas e chás, o gosto pela medicina tradicional e a criação de um “pequeno negócio”.
Os produtos não servem, explicou, apenas para “adoçar a boca”, mas têm fins medicinais.
Isabel Pita referiu que, apesar de \”o forte\” do negócio ser no congresso, durante o ano há já pessoas a deslocar-se à aldeia para comprar chás e licores.
A população reconhece que o congresso já não é o que era, mas continua entusiasmada pelo movimento de carros e gente.
Rosa Coimbra, de 87 anos, acompanha o evento desde o seu nascimento e afirmou, em tom de brincadeira, “Vilar de Perdizes é conhecida como a terra das bruxas, mas a verdade é que elas vêm todas de fora”.
E relatou uma situação vivida no evento: “há muitos anos, fui a um endireita para arranjar as costas, mas não me fez nada. Se mal andava, mal fiquei”.
Na tenda de José Rodrigues dos Santos vende-se desde louças em barro, artesanato, mel e as tradicionais bruxinhas de chapéu alto e vassoura.
O congresso de Medicina Tradicional arranca hoje e prolonga-se até domingo com 40 stands de videntes, endireitas, médiuns, astrólogos, ervanárias, bruxos ou cartomantes.
Há ainda massagens, licores afrodisíacos, ervas medicinais e palestras.




