EUA: Obama assume «falhas» e pede mais tempo para resolver «desafios»
O Presidente norte-americano, Barack Obama, aceitou hoje a nomeação do Partido Democrata para a corrida presidencial, assumindo «falhas» nos últimos quatro anos e pedindo para «resolver os desafios» que os Estados Unidos enfrentam.
Na noite do encerramento da Convenção Nacional do Partido Democrata, em Charlotte (Carolina do Norte), coube ao vice-presidente, Joe Biden, e ao senador John Kerry as críticas mais duras ao candidato republicano, Mitt Romney, deixando a Barack Obama uma intervenção mais moderada e otimista em relação ao futuro do país.
«Os nossos problemas podem ser resolvidos, os nossos desafios podem ser ultrapassados. O caminho pode ser difícil, mas leva a um lugar melhor. E estou a pedir-vos para escolherem esse futuro», afirmou Obama.
“Recobramos forças com as nossas vitórias, aprendemos com os nossos erros, mas mantemos o nosso olhar fixo nesse horizonte distante”, adiantou.
Num pavilhão com cerca de 20 mil líderes e activistas do Partido Democrata, usado por causa do mau tempo em vez de um estádio ao ar livre com o triplo dos lugares, Obama disse estar “consciente das próprias falhas”, admitindo as persistentes dificuldades económicas do país, mas pediu mais tempo para concretizar a sua agenda.
“Vocês não me elegeram para vos dizer o que querem ouvir. Elegeram-me para vos dizer a verdade. E a verdade é que serão precisos mais do que uns poucos anos para resolver os desafios que se acumularam ao longo de décadas”, disse.
“Não vou fingir que o caminho que vos proponho é rápido ou fácil, nunca o fiz”, adiantou.
Numa altura em que o desemprego continua acima dos oito por cento e o crescimento económico abrandou para 1,7% no segundo trimestre, os republicanos têm feito da situação económica e do crescente endividamento do país ponto central das críticas ao presidente.
Concluída a Convenção, o Departamento de Trabalho vai divulgar hoje um relatório oficial sobre a situação de emprego no país, a que os críticos do Presidente estarão atentos.
Não faltaram números na intervenção de Obama, mas apenas de objectivos a longo prazo: criação de um milhão de postos de trabalho industriais até final de 2016, 600 mil empregos na indústria de gás natural, 100 mil novos professores de ciência e matemática, entre outros.
Em relação ao seu adversário, Obama questionou a política económica de dar “isenções fiscais a empresas que enviam empregos para o estrangeiro” e deixou também farpas à recente visita de Romney ao estrangeiro, em que alguns comentários foram mal recebidos, sobretudo no Reino Unido.
“Talvez não esteja preparada para a diplomacia com Pequim uma pessoa que não consegue visitar os Jogos Olímpicos sem insultar o nosso mais próximo aliado”, disse Obama.
O discurso mais intenso da noite, por vezes com lágrimas, foi o do vice-presidente Joe Biden, que disse que Obama deu provas perante “a mais profunda crise económica das nossas vidas” e defendendo “o sector privado, não o sector privilegiado” e qualificando os republicanos de pessimistas.
“Mais uma coisa em que os nossos adversários republicanos estão totalmente enganados: a América não está em declínio”, disse.
John Kerry, senador e ex-candidato presidencial, atacou Romney por não ter mencionado na sua intervenção na Convenção republicana, na semana passada, os soldados norte-americanos no Afeganistão e outros teatros, algo “inadmissível” num candidato presidencial.
A campanha de Romney respondeu de imediato às críticas numa declaração divulgada ainda a meio da intervenção de Obama, afirmando que o Presidente pede mais quatro anos “baseado nas mesmas políticas que não funcionaram nos últimos quatro”.
“Os americanos vão responsabilizar o Presidente Obama pelo seu histórico e eles sabem que não estão melhor hoje e que é altura de mudar de direcção”, refere a declaração do director de campanha, Matt Rhoades.
Romney não assistiu ao discurso de Obama e justificou-se aos jornalistas que acompanham a sua campanha dizendo que seria apenas “mais uma série de promessas que não vai cumprir”.




