Recessão vai aumentar e PS deve votar contra o OE, diz António Costa

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, criticou as novas medidas de austeridade, afirmando que vão aumentar a recessão e defendendo que o PS deve votar contra o próximo Orçamento do Estado (OE).

“As novas medidas de austeridade vão agravar a recessão porque vão diminuir claramente o consumo interno. Não vão gerar o efeito económico nas empresas  que seja suficiente para justificar a diminuição do desemprego e são altamente  discriminatórias relativamente ao trabalhador por conta de outrem”, disse.

António Costa falava aos jornalistas à margem da sessão de apresentação  das alterações que a câmara vai fazer na rotunda do Marquês de Pombal e  na Avenida da Liberdade.

Questionado se o PS deve chumbar o OE, o autarca não hesitou em afirmar  “claramente”.

“Não vejo como é que, nestas circunstâncias, depois de um falhanço tão  rotundo da política que estava a ser seguida, depois de serem anunciadas  medidas de tal forma ofensivas para valores essenciais como o respeito pelo  Estado de Direito e a decisão do Tribunal Constitucional, o valor pela igualdade,  a ética e a valorização do trabalho, o PS pudesse ter sequer condições para  negociar estas medidas”, disse.

“São do meu ponto de vista inegociáveis e determinam uma rotura da relação  com o Governo relativamente a este trajeto”, acrescentou o autarca.

Para o presidente da câmara de Lisboa, “é preciso aprender com o que  aconteceu ao longo deste ano e a lição fundamental é que não haverá consolidação  sem crescimento económico”, por isso, considera que, “se há consenso que  o Governo queira é esse o consenso que deve procurar: que políticas, que  medidas para aumentar o crescimento económico”.

“Chegámos obviamente a um ponto de rotura relativamente a um trajeto  que estávamos a fazer. Tudo isto demonstra é que não haverá nunca consolidação  sem crescimento económico e, portanto, a prioridade tem de ser dada às políticas  que permitam crescer economicamente, gerar emprego, gerar riqueza e não  agravar as medidas de austeridade”, disse.

O primeiro-ministro anunciou na semana passada mais medidas de austeridade  para 2013, incluindo os trabalhadores do setor privado, que, na prática,  perderão o que o primeiro-ministro diz corresponder a um subsídio através  do aumento da contribuição para a Segurança Social de 11 para 18 por cento.

Os funcionários públicos continuam com um dos subsídios suspensos (na  totalidade nos rendimentos acima dos 1.100 euros/mensais e parcialmente  acima dos 600 euros) e o outro é reposto de forma diluída nos 12 salários,  que será depois retirado através do aumento da contribuição para a Segurança  Social.

A contribuição das empresas passa dos atuais 23,75 por cento para 18.  Os pensionistas continuam sem subsídios de natal e férias.

Estas medidas vão estar previstas no Orçamento do Estado de 2013 e são  justificadas pelo governo como uma forma de compensar a suspensão dos subsídios  de férias e de Natal em 2013 e 1014, “chumbada” pelo Tribunal Constitucional.

Share

Comentários fechados

Galeria de Fotos

Cidade de Lamego
Iniciar sessão | 2015 Programado por Rádio Clube de Lamego

Prevenção de Spam por Akismet