Enviado especial da ONU para a Síria inicia missão diplomática
O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, iniciou a missão de buscar uma solução para o conflito sírio que assola o país há 18 meses. Atualmente no Cairo, o diplomata argelino prepara-se para a sua viagem à Síria e ao Irão.
«Eu sei que é uma missão muito difícil, mas acredito que não tenho o direito de recusar qualquer assistência que posso dar ao povo sírio», disse ele hoje em conferência de imprensa.
Brahimi reuniu-se com o secretário geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, na sede do bloco na capital egípcia e nas próximas horas, deve encontrar-se com o presidente do Egito, Mohammed Mursi, um dos críticos do regime de Bashar al Assad.
Segundo a imprensa internacional, o diplomata argelino deve deslocar-se à Síria nos próximos dias para negociar com membros da sociedade civil e do governo tanto na capital do país como nas outras cidades. Questionado se se encontraria com o presidente sírio, Brahimi respondeu «Eu espero que sim, mas não tenho certeza».
Depois da sua visita à Síria, Brahimi deve encontrar-se com representantes do governo iraniano em Teerão, disse a agência estatal Iranian Mehr.
Desde que assumiu o cargo no fim de agosto em substituição de Koffi Annan, o diplomata argelino lida com uma complicada situação na Síria, que não só divide a sociedade do país como também as potências internacionais. Estima-se que pelo menos 25 mil pessoas foram mortas em 18 meses de confrontos.
Numa recente entrevista à rede britânica BBC, o mais novo mediador do conflito descreveu a sua missão como «quase impossível» e reiterou que assume o cargo sem qualquer ilusão. «Eu sei o quanto é difícil. Não posso dizer impossível – mas, é quase impossível», afirmou o diplomata que disse já sentir o «peso da responsabilidade».
Brahimi explicou que alcançar uma solução diplomática para o conflito é muito difícil e acrescentou que pouco está a ser feito neste sentido.
O diplomata, que já serviu na África do Sul depois do fim do apartheid e no Iraque após a intervenção dos Estados Unidos, disse sentir que está à frente de uma parede de tijolos, procurando brechas que possam levar a uma solução.
Annan renunciou ao cargo de enviado especial a 2 de agosto por não vislumbrar maneiras de solucionar o conflito na Síria. «É impossível para mim ou para qualquer outra pessoa convencer o governo e a oposição a dar os passos necessários para abrir um processo político», disse na ocasião.




