António Barreto suplica aos dirigentes políticos «que não façam disparates»
«Suplico aos dirigentes políticos portugueses que não façam disparates, não criem rupturas a curto prazo e não deitem tudo por terra», apelou hoje o sociólogo António Barreto, frisando que se houver uma dissolução do Governo e do Parlamento Portugal vai perder mais 4 ou 5 anos. «Estamos a viver um tempo em que as instituições políticas não parecem estar à altura da urgência e da gravidade dos problemas.
António Barreto falava a jornalistas à margem do ciclo de conferências «Presente no futuro – Os portugueses em 2030», organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos para debater o que será dos portugueses dentro de duas ou três décadas.
«A classe política não informa, não partilha os problemas, não partilha as soluções, não é leal entre si, escondem-se dados e factos, não está suficientemente preparada, nem sequer para as consequências dos seus actos», disse, atribuindo a impreparação dos dirigentes políticos a um conjunto de factores, como a sua juventude e ao facto de muitos ex-agentes políticos terem abandonado a política – que se tornou menos atractiva – para passarem a exercer no privado.
O sociólogo lamentou ainda que a política dependa cada vez mais das lógicas partidárias e que os políticos dêem cada vez menos voz à sociedade civil, estando em braços de ferro sistemáticos, em vez de estarem em permanente dialogo, discutindo os problemas e procurando soluções. Mas também criticou os parceiros sociais, considerando que deveriam ser mais intervenientes.
Deu, também a «maior força» às manifestações da sociedade civil, desde que não sejam aproveitadas pelos partidos políticos para os seus fins próprios.
António Barreto falava no âmbito do debate sobre o que será a sociedade portuguesa daqui a duas ou três décadas, com uma população muito envelhecida em que metade da população terá mais de 50 anos em 2030 e em que um em cada três portugueses terá mais de 65 anos em 2050, aumentando mais de metade em relação à actual taxa, que é de 19,1%. O cenário daqui decorrente será uma sociedade muito diferente, com muito menos escolas, muito menos hospitais e outras instituições sociais.
«Isto só pode ser alterado com a migração, com o aumento da imigração e a redução da emigração», considera, sublinhando, no entanto, que a crise económica torna o país muito menos atractivo para quem aqui procura emprego.




