Exportações não compensam “contracção excessiva” do mercado interno
É a opinião da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, um dos parceiros sociais que vai participar na reunião de segunda-feira. Já a Confederação Empresarial de Portugal, insiste na redução da TSU.
A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) torce, para já, o nariz à aplicação de uma sobretaxa equivalente a meio subsídio de Natal para compensar o abandono da medida da taxa social única (TSU) e alerta para os malefícios de uma maior contracção do mercado.
“Continuamos extremamente preocupados, uma vez que tudo o que seja aumento da carga fiscal e diminuição do poder de compra das famílias vai afectar todo o mercado, em particular o comércio e serviços, e isso é bastante grave. Mais de 80% das empresas e dos trabalhadores estão ligados ao mercado interno”, afirma à Renascença o presidente da CCP, João Vieira Lopes.
“Uma contracção excessiva, na nossa opinião, não é – nem de perto nem de longe – compensada pelo aumento das exportações. No entanto, estamos abertos a analisar as alternativas que o Governo nos apresentar”, acrescenta.
Em cima da mesa da concertação social vai estar a descida da TSU apenas para empresas que criem empregos – uma medida positiva, considera Vieira Lopes, mas a precisar de uma forte fiscalização para impedir truques de algumas empresas.
“O Governo terá que instituir, em termos dos mapas que as empresas têm de fornecer regularmente sobre os trabalhadores que contratam e os seus efectivos, que impeça alguns truques, no sentido de transferências dentro do mesmo grupo. Mas isso é uma questão que a Inspecção do Trabalho e o sistema fiscal terão de garantir”, defende.
Já a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) remete uma avaliação das alternativas para a reunião de segunda-feira, mas o seu presidente insiste que uma descida da taxa social única seria benéfica para algumas empresas.
“Nas audiências que tivemos com o senhor Presidente da República e o senhor primeiro-ministro nós referimos que este tema devia ser tratado em concertação social e dessas propostas há-de sair uma solução. Continuaremos a solicitar a redução da TSU, num quadro mais consentâneo com a austeridade que estamos a passar”, afirma.




