Louçã: Borges é «ministro extranumerário» e situação é uma «anedota»

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, defendeu hoje que António Borges, que acusou os empresários que criticaram a redução da TSU de serem “ignorantes”, é o “ministro extranumerário do Governo” e que toda a situação “é uma anedota”.

“Eu acho que o consultor António Borges, que é o ministro extranumerário do Governo, se transformou numa espécie de gato escondido com o rabo de fora. Ele propõe o que Passos Coelho apresenta, Passos Coelho recua, António Borges insulta o país, é uma anedota”, declarou Francisco Louçã.

O líder do Bloco de Esquerda considerou, aliás, que o Governo se tornou uma “anedota”, porque os ministros se “contrariam uns aos outros” e “apresentam propostas absurdas”.

O dirigente do BE falava à agência, na capital francesa, onde esteve hoje para participar na Manifestação Europeia “Por uma Europa Solidária – Não ao Tratado da Austeridade”, que contesta a ratificação do Tratado Orçamental e reivindica a convocação de um referendo sobre o assunto.

O encontro juntou milhares de pessoas na praça da Nação, na zona Leste de Paris.

As eurodeputadas Marisa Matias e Alda Sousa também estiveram presentes no encontro.

António Borges interveio sábado no I Fórum Empresarial do Algarve, que decorre este fim de semana em Vilamoura e reúne mais de 300 empresários, economistas e políticos de Portugal, Brasil, Angola, Índia, Emirados Árabes Unidos e Moçambique.

“Que a medida é extremamente inteligente, acho que é. Que os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na faculdade, isso não tenham dúvidas”, afirmou.

Admitindo que a medida implica perda de poder de compra “para muita gente”, António Borges considerou, no entanto, que quem acha que “o programa de ajustamento português se faz sem apertar o cinto, está com certeza um bocadinho a dormir”.

Aquele responsável discordou ainda que, com a TSU, se proceda a uma transferência dos rendimentos do trabalho para o capital, já que o problema do país é estar “completamente descapitalizado”.

“Parece que voltámos todos ao Marxismo: o capital é uma coisa má, temos que o destruir”, referiu, criticando o facto de as pessoas dizerem que “não podem ajudar o capital”.

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