“Nunca mantive qualquer ligação com pessoas envolvidas no processo Monte Branco”, garante Ricciardi

O presidente do Banco Espírito Santo (BES) Investimento, José Maria Ricciardi, terá sido o interlocutor de Passos Coelho na conversa escutada no âmbito do processo Monte Branco. O banqueiro emitiu hoje um comunicado para esclarecer a sua posição sobre o caso. Nesse documento, garante: “não mantenho nem nunca mantive qualquer ligação com pessoas envolvidas no processo Monte Branco que nem sequer conheço”. Ricciardi admite, no entanto, o contacto com vários membros do Governo para transmitir “a discordância pelo facto de o Estado ter contratado a firma norte americana Perella por ajuste direto”.

Pedro Passos Coelho também já reagiu às notícias que dão conta do envio do telefonema pelo antigo procurador-geral da República para o Supremo Tribunal de Justiça. O primeiro-ministro diz que, a ser verdade que tenha sido escutado “fortuitamente”, no âmbito de uma investigação ao processo Monte Branco, houve uma quebra no segredo de justiça e deve ser identificado o responsável. Passos acrescenta que está tranquilo e que, a existirem essas escutas telefónicas, até gostaria de as ver reveladas publicamente.

Declaração do presidente do BES Investimento

«Confrontado com as recentes notícias que envolvem a minha pessoa, relacionadas com o processo “Monte Branco” e o dossiê das privatizações, cumpre-me esclarecer o seguinte:

1. Não configura ilicitude, irregularidade ou sequer censura, o eventual protesto ou desabafo da minha parte perante membros da Administração Pública, destinado justamente a evidenciar a necessidade de garantir a transparência das regras do concurso e a assegurar a igualdade de oportunidades facultadas aos concorrentes.

2. Para que não fiquem dúvidas no espírito de ninguém reafirmo que transmiti a vários membros do Governo a minha discordância pelo facto de o Estado ter contratado a firma norte americana Perella por ajuste direto, quando se exigia, na observância do rigor e da ética, que se elegessem as assessorias financeiras através de concurso público.

3. Manifestei essa discordância em devido tempo e não a retiro.

4. Não traduz ilicitude, irregularidade ou sequer censura que se questione eventualmente um membro do Governo sobre se há intenção de ceder a pressões políticas promovidas pelas lideranças europeias, amplamente divulgadas na imprensa de então, sendo que tal questão só podia ter como pressuposto a vontade clara de fazer cumprir as regras do concurso, ou seja, a da adjudicação à proposta com melhor preço e condições mais favoráveis para o Estado Português.

5. Falar com um Ministro, qualquer que ele seja, neste quadro não é ilícito, nem irregular ou sequer censurável.

6. Fique ainda bem claro que não mantenho nem nunca mantive qualquer ligação com pessoas envolvidas no processo“Monte Branco” que nem sequer conheço, ou que alguma vez haja prometido favores ou pedido vantagens a quem quer que fosse, ou participado directa ou indirectamente em actos que configurem abuso de informação ou manipulação de preços.

7. É o que me cumpre reafirmar por uma questão de consciência, lamentando embora que através da violação do segredo de justiça se faça pesar sobre um cidadão suspeitas ilegítimas e recair sobre ele um julgamento moral que a verdade dos factos não consente.

Lisboa, 21 de Outubro de 2012

José Maria Ricciardi»

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