FENPROF rejeita acordo a proposta governamental para vinculação de professores

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF)  anunciou hoje que ficaram concluídas, sem acordo, as negociações iniciadas  em outubro com o Governo para a vinculação extraordinária de docentes com  vários anos de serviço.

Tal como a Federação Nacional da Educação (FNE), a FENPROF considera  que a proposta apresentada pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) apenas  visa a realização de um concurso.

“A FENPROF continua a considerar muito negativo que o MEC não tenha  avançado, como se comprometeu, com um regime de vinculação de professores,  desrespeitando a diretiva comunitária sobre a matéria”, afirma a estrutura  sindical, em comunicado.

À semelhança da FNE, também a FENPROF diz que continuam por definir,  com clareza, os critérios para a dotação de vagas a concurso e que ficariam  excluídos candidatos provenientes das regiões autónomas.

“A não consideração de docentes de teatro, técnicas especiais e dos  conservatórios de música e dança, para efeitos de integração nos quadros  e na carreira” é outro dos pontos enumerados pela federação para não dar  o acordo ao documento do ministério.

A FENPROF promete continuar a diligenciar “junto das instâncias adequadas”,  no sentido de ser “finalmente aplicada a diretiva comunitária para a qual  a Provedoria de Justiça já chamou a atenção do Governo”.

Também a FNE rejeitou hoje o acordo com o Ministério para a “vinculação  extraordinária” de professores por faltarem garantias como o número de vagas  a abrir, num processo que diz ser apenas um concurso.

“Há pelo menos três situações em que a FNE diverge do Ministério da  Educação, nomeadamente não estar assegurada a vinculação dos professores  que a ela têm direito, uma vez que o diploma trata de um concurso para eventual  vinculação e está dependente da existência de muito poucas vagas”, disse  à agência Lusa a dirigente Lucinda Manuela.

A responsável justificou ainda a rejeição da FNE com o facto de não  conhecer o número de vagas que o ministério está disposto a abrir neste  concurso: “O que nos põe todas as reservas, porque o ministério pode fazer  um concurso com um número muito reduzido de vagas”.

A concretizar-se este receio, ficariam de fora muitos professores com  vários anos de serviço e que no setor privado teriam obrigatoriamente de  ser admitidos como efetivos.

A mesma fonte indicou que no documento do Governo está “vedada a possibilidade”  de entrarem neste processo professores que trabalham nas regiões autónomas,  no ensino do português no estrangeiro, e outros que “trabalham há muitos  anos no continente e que não têm grupos de recrutamento”.

Estão nesta situação, professores de música, de expressões e de dança,  bem como de religião e moral católica, acrescentou.

De acordo com a dirigente, não há já qualquer expectativa de serem vinculados  os professores com 10 ou mais anos de serviço.

“Não há qualquer expectativa porque não há o conhecimento do número  de vagas. Quando nos dizem que é de acordo com as necessidades do sistema  e perguntámos quais são elas, não nos foi dada resposta”, lamentou.

“Não há garantia de vinculação, há garantia de um concurso para vinculação,  o que é diferente de vinculação”, sublinhou.

A FNE foi a primeira das organizações sindicais a reunir-se hoje com  o secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova  de Almeida, tendo chegado ao fim do período negocial sem acordo.

Seguem-se reuniões com a Federação Nacional dos Professores (FENPROF),  que também já criticou os termos do documento, e outras estruturas de menor  representatividade.

Ambas as organizações reconhecem ter havido aproximações positivas durante  a negociação, mas insuficientes para chegarem a acordo.

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