Magnata russo Andrei Kissilov na corrida aos Estaleiros de Viana

A empresa russa RSI Trading, que concorre  à reprivatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), integra  a Corporação Financeira da Rússia do magnata Andrei Kissilov, confirmaram  à Lusa várias fontes em Moscovo.

Trata-se de um grupo que realiza investimentos em diferentes áreas,  nomeadamente na construção e reparação de navios, construção de plataformas  onshore e componentes para plataformas offshore.

Contudo, segundo as mesmas fontes, a principal esfera de atividade é  a construção naval.

Este grupo privado em menos de cinco anos tornou-se conhecido no mercado  russo ao adquirir três grandes estaleiros no país, concretamente nas cidades  de Volgogrado, Petrozavodsk e Nizhi-Novgorod.

Emprega naquela atividade mais de três mil trabalhadores e fatura 500  milhões de dólares norte-americanos.

A entrada deste grupo na corrida à venda do capital social dos estaleiros  portugueses é justificada por fontes próximas do processo com o objetivo  da Corporação Financeira Russa de crescer além das fronteiras daquele país.

A proposta pelos ENVC, que juntamente com a dos brasileiros da Rionave  chegou até à fase final da reprivatização, é apresentada em Portugal pela  RSI – River Sea Industrial Trading.

“Entre outras razões que levaram à participação dessa corporação na  luta pela privatização dos ENVC, uma das mais importantes consiste não só  em encontrar formas de expandir negócios, mas também chegar a novas tecnologias”,  declarou uma fonte próxima do grupo russo.

Recorde-se que nos últimos anos os estaleiros asseguraram a construção  de dois navios de patrulha (com 83 metros de comprimento) para a Marinha  portuguesa, de uma encomenda total de oito, entretanto revogada pelo ministério  da Defesa Nacional.

Entre os anos 1980 e 90, os estaleiros de Viana construíram vários navios  porta-contentores para a antiga União Soviética, período em que a empresa  registou os melhores resultados em mais de 60 anos de atividade.

O projeto apresentado pelo grupo russo admite a construção em Viana  do Castelo de 10 navios para transporte de gás condensado russo.

O Governo português pretende escolher o novo dono dos ENVC até final  deste ano, mas o grupo que vencer o concurso não poderá vender a empresa  durante um prazo de cinco anos.

O capital social dos estaleiros é composto por 5,950 milhões de ações,  detidas totalmente pela Empordef, com um valor nominal, cada, de cinco euros,  o que perfaz um total de 29,9 milhões de euros.

Quanto ao principal acionista do grupo russo, é descrito “muito pouco  público”, mas “especialista” em construção naval.

A agência Lusa teve, contudo, acesso a um relatório apresentado pelo  próprio Andrei Kissilov, intitulado “Aumento do poder de concorrência da  construção naval russa: revisão de modelos e de estratégia de modernização”,  onde propõe correções à política do Governo russo neste setor e ao incentivo  da construção naval civil naquele país.

Na semana passada, o primeiro-ministro Dmitri Medvedev colocou a construção  naval como um dos ramos prioritários da modernização da Rússia.

Fontes em Moscovo garantem que se a Corporação Financeira Russa vencer  o negócio da reprivatização dos ENVC este será o maior investimento de capital  russo em Portugal e que, sendo bem-sucedido, outros se poderão suceder.

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