Israel divulga vídeo para justificar ataque a navio turco de ajuda humanitária
O momento exacto do ataque já foi divulgado pela defesa israelita para justificar o ocorrido. O vídeo mostra o caos na embarcação turca. Telavive diz que o ataque foi a resposta às rajadas de fogo disparadas da embarcação de ajuda humanitária. Os soldados tomaram de assalto o navio e, nesse momento, terão sido atingidos com barras de ferro. No vídeo é possível ver os confrontos físicos entre os activistas e as tropas israelitas.
Foi nessa altura que, segundo Israel, os soldados responderam, em legítima defesa para evitar um linchamento. Entre os mais de 750 participantes da frota da liberdade, contavam-se dezenas de deputados britânicos e alemães, congressistas norte-americanos, activistas de organizações humanitárias e defensores dos direitos humanos.
Enquanto um dos ‘comandos’ assaltantes desce do helicóptero, através de uma corda, um passageiro na ponte dispara e um grupo armado com matracas ataca-o enquanto está por terra.
Nas imagens a preto e branco, que parecem terem sido registadas a partir de um barco vizinho, pelo menos seis passageiros são visíveis na ponte, levantando várias vezes as suas matracas e atacando alguém no chão.
Entre o grupo de cerca de 20 pessoas reunidas na ponte, pelo menos duas atiram violentamente um ‘comando’ israelita para um nível inferior da ponte do navio.
Uma outra pessoa agita uma cadeira acima da cabeça durante a confusão.
Incidente pode culminar em nova onda de violência
A Turquia acusa Israel de terrorismo de Estado depois do ataque desta segunda-feira da Força aérea de Telavive a uma embarcação turca, em águas internacionais no Mediterrâneo. Os números são ainda contraditórios, mas apontam para 10 mortos e 36 feridos entre os activistas pró-palestinianos que seguiam para Gaza, numa missão de ajuda humanitária.
Há protestos em Gaza, pela Cisjordânia e já um pouco por todo o mundo. Activistas dos direitos humanos e defensores da causa pelestiniana queimaram bandeiras de Israel.
ONU condena ataque israelita
Já esta segunda-feira à noite, o Conselho de Segurança das Nações Unidas criticou a acção do Exército israelita. É uma reunião de emergência que se estende pela madrugada na sede da ONU em Nova Iorque, mas que fica determinada à partida, pelas palavras do secretário geral.
Ban Ki Moon referiu-se ao incidente como um “banho de sangue”. Por sua vez, o ministro dos negócios estrangeiros da Turquia diz que Israel perdeu toda a legitimidade para manter o respeito da comunidade internacional.
Israel cometeu “um grave crime, com desprezo total de todos os valores que nós jurámos defender desde a criação das Nações Unidas”, referiu Ahmet Davutoglu, num discurso muito duro na abertura do debate.
“É uma violação grava do direito internacional. Em termos simples, isto equivale a banditismo e a pirataria, ao assassínio de Estado”, acrescentou.
“Um Estado que segue este caminho perdeu a sua legitimidade enquanto membro respeitado da comunidade internacional”, insistiu.
Pede-se o fim total e sem reservas do bloqueio a Gaza. A União Europeia pediu também esta segunda-feira a abertura de um inquérito que apure em que circunstâncias os soldados dispararam. A NATO reúne-se esta terça-feira em Bruxelas. Barack Obama remete para mais tarde uma posição dos Estados Unidos.
Estão reunidas as condições para mais uma polémica nas relações israelo-palestinianas e um duro revés nas esperanças de paz no Médio Oriente .




