Resistir-lhe é impossível – Sporting 1 – Benfica 3

Quem diria que seria que o Benfica a assinar o prólogo de mais um “Livro do Desassossego” do Sporting. Para os leões, o passado é apenas o prefácio de mais um capítulo triste, insípido. Para as águias, esta continua a ser a publicação de uma época que segue nos trilhos e que continua a registar páginas de enorme qualidade.

O demérito verde-e-branco e o mérito assinalável dos encarnados fizeram deste “derby” um dos mais intensos dos últimos anos, disputado durante 86 minutos. “Clássico” que é “clássico” não pode passar sem emoção e, claro está, este não foi diferente.

A vida, como um jogo de futebol, é definida a qualquer esquina, a qualquer erro, a qualquer rasgo de brio. Pelo lado positivo, um goleador mal-amado mas que continua a calar as vozes mais irascíveis. Em sentido contrário, toda uma equipa que não toma a medicação para a ansiedade e que volta a revelar um carácter esquizofrénico.

Cardozo voltou a ser o denominador comum de uma vitória imponente do Benfica que acabou por rebater a anormalidade de uma 1ª parte, controlada por um leão que não enganava ninguém e que poderia cair a qualquer altura, com uma 2ª metade digna de um colosso europeu.

A “obra-prima” de Wolfswinkel, aos 30′, foi apenas fumo sem fogo. O Sporting não estava diferente. Após o golo inaugural, receoso, recuou as suas unidades e já terminou os primeiros 45′ com a corda na garganta.

Veio a etapa complementar e, com ela, um “tufão” que tem nome imponente. “Takuara” aplicou-se para forçar Marcos Rojo a fazer auto-golo, aos 58′, e a águia voou mais alto. O leão recolheu para a sua zona de conforto, sem bola, gerindo um empate que, sabia-o, era já um mal menor.

O Benfica não queria isso e o FC Porto assistia de “cadeirão”, à espreita de uma escorregadela do clube da Luz na luta pelo primeiro lugar. Eles não estavam para aí virados.

Por isso é que, aos 81′, Cardozo voltou a fazer das suas. Para memória futura: Boulahrouz tem dotes de guarda-redes, mas ainda é defesa. O espectacular corte em cima da linha-de-golo, com o braço, só deu mais um pretexto ao paraguaio para assegurar que tem lugar cativo no onze de Jorge Jesus.

Por falar em Jesus, uma vénia. O terceiro golo encarnado surge de um livre, pelo lado esquerdo, com Gaitán a cruzar e Cardozo – outra vez por aqui? – a bater Rui Patrício e a iniciar a debandada geral dos adeptos sportinguistas. Uma vénia, porque bem se pode dizer que “pela esquerda é o caminho a seguir”.

Foi dali que se originaram os golos de um Benfica que aproveitou a inexperiência do jovem Eric Dier. Mas se há elogios para Jesus, há também “puxão de orelhas” para Vercauteren. Com menos uma unidade, por expulsão de Boulahrouz, e a perder por 2-1, o técnico belga tira Elias e coloca Xandão em campo. Inexplicável.

Também por aqui se percebe o porquê da “cambalhota” que volta a colocar o Benfica a par do FC Porto, no topo da Liga. Ainda quer saber as contas do Sporting? Nono lugar, onze pontos e apenas quatro vitórias em vinte jogos oficiais. Paupérrimo.

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