Hospitais só garantem tratamentos essenciais até ao fim do ano

Hospital BragaGoverno aprovou um segundo Orçamento Rectificativo com 400 milhões de euros para pagar dívidas no sector da saúde. Ainda assim, o ministro da Saúde já reconheceu não ter ainda autorização da “troika” para usar esse dinheiro.

Vários hospitais, entre eles o Instituto Português de Oncologia e o Hospital de Santo António, no Porto, só garantem tratamentos essenciais até ao fim do ano, porque estão proibidos de acumular dívidas a mais de 90 dias por imposição da “troika”. Portanto, não podem fazer mais despesa.

O administrador do Centro Hospitalar do Porto, por exemplo, diz que nesta altura já há adiamento de cirurgias. “Nós não estamos só a cortar no [medicamento] Tafamidis, mas,  por exemplo, e porque não havia lentes, adiámos cirurgias de cataratas. As cirurgias estão em risco, porque se acabarem os ‘stocks’ – teremos que adiá-las”, diz Sollari Alegro.

“Aquilo que garantimos sempre foi o tratamento das situações agudas e nas situações em que a medicação não pode ser interrompida”, assegura, lamentando as circunstâncias: “Não faz sentido”.

Estas são queixas que se repetem em muitos hospitais, à espera de resposta da tutela.

O Governo aprovou um segundo Orçamento Rectificativo com 400 milhões de euros para pagar dívidas da saúde. Ainda assim, e na quarta-feira, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, reconhecia não ter ainda autorização da “troika” para usar esse dinheiro. Por seu lado, a “troika” quer garantias de controlo nas dívidas deste sector.

Sollari Allegro afirma que situações como esta irão repetir-se antes do final do ano e avisa que os orçamentos aprovados pelo Ministério da Saúde não são comportáveis.

“Não tenho garantia nenhuma de que antes do fim do ano não haja novamente problemas, porque com a lei dos compromissos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde é completamente incumprível, porque temos dívidas do passado que não estão pagas”, critica.

O administrador lamenta, por isso, que a tutela aprove “orçamentos com défice”. “Não podem esperar que até ao fim do ano paguemos todas as contas”.

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