Estão as crianças portuguesas preparadas para os riscos da internet?

InternetRelatório do “Projeto EU Kids Online” conclui que as crianças portuguesas têm competências “acima da média europeia”. Ensinar os mais novos a lidar com os riscos na internet desde cedo é uma das principais recomendações.

As crianças portuguesas apresentam competências “acima da média europeia” para lidar com riscos e experiências negativas na internet, segundo o novo relatório do “Projeto EU Kids Online”.   Coordenado em Portugal por Cristina Ponte, da Universidade Nova de Lisboa, o estudo analisou a forma como as crianças lidam com os riscos, como a exposição a conteúdos sexuais indesejados e o “bullying” online.

“Muito importante é elas saberem o que fazer quando encontram uma situação danosa, por exemplo, saber bloquear, saber usar o reportar abuso. Verificámos que as crianças europeias, no conjunto das crianças europeias, olhando para os 25 países participantes, Portugal apresentava o 9º melhor resultado, o que é bastante honroso”, afirma Cristina Ponte.

Ensinar as crianças a lidar com os riscos na internet desde cedo, seja na escola, em família ou entre amigos, é uma das várias recomendações deixadas por este estudo.

O mais recente relatório analisou especificamente a forma como as crianças, com idades entre os nove e os 16 anos, lidam com três riscos online: exposição a conteúdos sexuais indesejados (pornografia), “bullying online” e “sexting” (troca de mensagens ou fotos de cariz sexual).   Segundo o documento, a maioria das 25 mil crianças e jovens inquiridos na Europa “não se sente incomodada quando confrontada com riscos ‘online'”.   Contudo, este lembra que as crianças que acham mais difícil gerir as suas emoções, conduta e comportamento social, na vida real, “têm mais probabilidade de se sentir incomodadas e perturbadas no mundo ‘online'”.   “As crianças com problemas psicológicos têm menor resiliência na Internet – ou seja, os riscos online perturbam-nas com mais frequência e intensidade”. Além disso, essas crianças “tendem a ser passivas, em vez de procurarem activamente resolver o problema”, alerta o relatório.    Tanto na exposição a conteúdos sexuais, como no “bullying online” ou no “sexting”, falar com alguém é a estratégia “mais popular” que as crianças e jovens inquiridos utilizam para lidar com estes riscos.   Contudo, há também quem simplesmente resolva o problema apagando as mensagens ou bloqueando os remetentes.    “Para conteúdos sexuais perturbadores, apagar as mensagens foi avaliado como o modo mais eficaz (por 82%); quanto ao ‘bullying online’, a estratégia de bloquear o remetente foi vista como a mais eficaz (78%)”, revela.   Já outras crianças e jovens reagem de “forma passiva”, desligando a Internet durante algum tempo. De acordo com o estudo, essa estratégia é utilizada por 18% dos que receberam mensagens de cariz sexual, e 25% dos que viram conteúdos sexuais.   O relatório conclui ainda que as raparigas são mais sensíveis em relação a riscos “online” de cariz sexual e “sexting”, e que estas se sentem ofendidas ou perturbadas com mais frequência e intensidade do que os rapazes.

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