Fenprof tece duras críticas ao encerramento de escolas
Para os sindicalistas, o fecho dos estabelecimentos de ensino vai levar a uma «forte quebra de qualidade do ensino» e ao aumento do desemprego.
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) considera que o encerramento de escolas, decidido esta terça-feira em Conselho de Ministros, vai provocar uma «forte quebra de qualidade do ensino», mais desemprego e «grandes sacrifícios para os alunos».
Em comunicado, o secretariado nacional da Fenprof entende que as medidas anunciadas servem um único objectivo: «Poupar na educação».
Em causa está a resolução de reordenamento da rede escolar, aprovada em Conselho de Ministros, que define o encerramento das escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico com menos de 20 alunos.
Para a Fenprof, o Governo «decide agora resolver os problemas de liquidez financeira do país à custa das crianças e das populações mais desfavorecidas».
Segundo o sindicado, esta medida vai deixar «inúmeros concelhos do país reduzidos à expressão mínima de uma ou duas escolas».
«Os custos com deslocações ficarão por conta de municípios endividados, os custos sociais serão pagos pelas populações e os custos educativos estarão por conta das crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos», alerta o sindicato.
No comunicado, a Fenprof fala ainda de «notícias, um pouco por todo o país, dando conta de reuniões realizadas com directores de escola para informar que o ME irá avançar com uma reestruturação da rede escolar, fundindo agrupamentos, extinguindo outros e integrando as escolas secundárias em agrupamentos já constituídos».
No entanto, o secretário de estado da Educação, João Mata, garantiu que «não irão existir agrupamentos maiores dos que já existem».
No comunicado, a Fenprof exige ser ouvida, admitindo já que «assumirá uma postura de grande crítica e exigência se tal vier a acontecer».
CONFAP alerta para problemas com transportes
A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) também se pronunciou sobre o assunto. Os pais apelaram a uma apreciação caso a caso das escolas a encerrar, sublinhando que no interior do país percorrer 10 ou 15 quilómetros poderá implicar horas de transporte que sacrificam crianças e famílias.
«Apesar de o país se considerar bem dotado de infra-estruturas rodoviárias, nomeadamente auto-estradas, itinerários principais e complementares, a verdade é que há zonas no Norte e Centro onde deslocar crianças 10 ou 15 quilómetros é uma verdadeira tortura», afirmou.
¿Em muitas situações são precisos tempos que na cidade nem sequer imaginamos, como horas ou uma hora de transporte para fazer meia dúzia de quilómetros porque os caminhos são maus e muitos alunos poderão passar a ser recolhidos com muitas horas de antecedência em relação ao início das actividades lectivas¿, sublinhou, acrescentando que o regresso a casa será mais tardio.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da CONFAP, Albino Almeida, disse ter consciência de que a medida hoje anunciada pelo Governo decorre de estudos e indicações de instituições europeias, mas advertiu que é necessário prosseguir o trabalho de articulação com as autarquias para encontrar as melhores respostas para as crianças e as famílias.
Por outro lado, defendeu que a medida «não implica necessariamente a redução do número de docentes», uma vez que os alunos continuarão a ter aulas noutro estabelecimento de ensino.
Albino Almeida sublinhou que neste processo é necessário garantir que alunos e professores serão deslocados para estabelecimentos com melhores condições do que as que existem nos locais onde estão actualmente.




