Um terço das mães tem mais de 35 anos em Lisboa, Oeiras e Coimbra
Na última década, as gravidezes após os 35 anos dispararam 47% e a maternidade antes dos 20 caiu para metade. A nova plataforma das Administrações Regionais de Saúde mort@lidades.infantil mostra, preto no branco, uma tendência para a qual têm alertado demógrafos mas também médicos: as gravidezes em Portugal são cada vez mais tardias.
Segundo o jornal i, nos Agrupamentos de Centros de Saúde do Baixo Mondego I (que até ao ano passado abrangia os concelhos de Coimbra, Condeixa–a-Nova e Penacova), Lisboa Norte, Oriental e Central e Oeiras a percentagem de mães com mais de 35 anos ultrapassou os 30%.
À excepção de Oeiras, que em 2010 já apresentou uma proporção de nascimentos em mulheres com idade igual ou superior a 35 anos na casa dos 32%, é a primeira vez que as gravidezes tardias atingem um número tão redondo em mais do que um agrupamento. Oeiras lidera na proporção de nascimentos na recta final da idade fértil, com 35% dos nascimentos a verificarem-se acima desta idade em que há mais dificuldades em engravidar e os riscos de malformações ou aborto espontâneo são mais significativos. No ACES Lisboa Norte, Oriental e Central o salto foi de 27,7% em 2010 para 30,3% em 2011 e no Baixo Mondego I o aumento foi de 25,6% para 30,3%. Este Agrupamento de Centros de Saúde, entretanto agregado com outros dois, destaca-se contudo na região Centro, onde a percentagem média de nascimentos acima dos 35 anos rondou, em 2011, os 23,5%.
Na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde se encontram a maioria dos concelhos recordistas em maternidade tardia, a proporção média foi de 25,9%. Além de Oeiras e Lisboa capital destaca-se ainda o ACES de Cascais, onde 29,3% dos recém-nascidos já não apanharão as mães na casa dos 20 anos.
Opções profissionais, falta de apoios à maternidade ou dificuldades em conseguir estabilidade financeira são algumas das razões apontadas para o adiamento da maternidade corroborado em diferentes estatísticas nacionais: a idade média da mãe ao nascimento do primeiro filho subiu dos 25 anos no início dos anos 1990 para os 26,5 no virar do milénio e em 2011 fixou-se nas 29,2 primaveras, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
Associada a esta prorrogação mas muito possivelmente também a constrangimentos socioeconómicos, o índice sintético de fecundidade, usado para medir a capacidade de renovação geracional de um país – pesando o número médio de crianças nascidas por mulher em idade fértil, dos 15 aos 49 anos, tendo em conta a taxa de fecundidade vivida no mesmo período, ou seja, o número de nascimentos por cada 1000 mulheres – caiu de 3,16 nos anos 1960 para 1,55 no ano 2000. Desde então, derrapou até aos 1,35, quando 2,1 crianças por mulher são o nível mínimo de substituição de gerações, sem o qual o país está condenado a uma pirâmide demográfica potencialmente insustentável.
Se a nível nacional a problemática da maternidade tardia e envelhecimento está mais que escrutinada, a nova plataforma vai mais longe ao fornecer um retrato local das diferentes dinâmicas. Os dados das Administrações Regionais de Saúde mostram que ainda há concelhos onde a maternidade após os 35 ainda está longe de vir a tornar-se a regra. No ACES Vale do Sousa Sul, que abrange os concelhos de Paredes, Penafiel e Castelo de Paiva, 19% dos nascimentos verificados em 2011 disseram respeito a mulheres com mais de 35 anos. Ainda assim, dominam entre as sub-regiões menos afectadas pela gravidez tardia os concelhos do Interior, com a população servida pela Unidade Local de Saúde de Castelo Branco à cabeça (17,7%).
Por outro lado, e se são cada vez mais raras as mães muito jovens (com menos de 20 anos), há campeões demarcados. Em 2011, já só 3,6% das mulheres que deram à luz no continente poderiam pensar em ser avós não muito depois de completarem os 40 anos (isto se os filhos seguissem os seus passos). Nos concelhos de Carregal do Sal, Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão e Tondela, abrangidos pelo ACES Dão Lafões III, a probabilidade é superior: 8,6% dos nascimentos ainda aconteceram antes da mãe soprar as velas dos 21 anos. Olhando para os ACES Baixo Mondego I ou de Oeiras, líderes destacados nas barrigas mais velhas, percebe-se que são rankings que se roubam um ao outro: estão entre os que têm menos mães com menos 20 anos, 1% e 2,2% respectivamente.




