Banco de Portugal agrava previsões pessimistas
Menos crescimento, menos exportações e menos empregos são alguns dos dados avançados no Boletim de Inverno do banco central.
O Banco de Portugal revê em baixa o crescimento da economia para este ano, admitindo agora uma recessão de 1,9%, quase o dobro das estimativas do Governo.
A instituição prevê ainda um abrandamento das exportações, o motor da economia, e uma ligeira recuperação da procura interna, isto sem ter em conta as novas medidas de austeridade já aprovadas no Orçamento do Estado para este ano.
O boletim de Inverno prevê uma recessão de 1,9% este ano, acima dos 1,6% estimados antes.
A perda de mais de 86.600 postos de trabalho – uma queda significativa do emprego, que deve atingir tanto o sector público como o privado, e que não deve ficar por aqui. O regulador admite que a extinção de postos de trabalho e o encerramento de empresas pouco produtivas vai prolongar-se por 2014.
Ainda para este ano, e do lado do consumo, o boletim de Inverno não altera as perspectivas negativas para o consumo privado e público.
No caso das famílias e empresas continua a queda, pelo terceiro ano consecutivo, o que equivale a um retrocesso de uma década, para os níveis registados quando Portugal entrou na moeda única.
Do ponto de vista da conjuntura externa, a boa notícia é que a balança comercial vai manter-se positiva e as importações continuam a descer. Já as exportações vão reflectir o impacto negativo das medidas de correcção das contas públicas e da crise.
A instituição liderada por Carlos Costa admite um crescimento de apenas 2%, em vez dos 5% apontados no anterior boletim, para aquele que é neste momento praticamente o único motor da economia.
Os preços vão descer este ano, a inflação deverá passar de 2,8% em 2012, para 1%, com reflexos já nos primeiros meses de 2013. Mas novas medidas de austeridade podem alterar estas previsões ao longo do ano.




