Relatório do FMI teve “mão” do Governo

FMIHouve mão do Governo no recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) com sugestões para o corte de quatro mil milhões de euros na despesa pública. É o próprio FMI que o confirma.

O FMI esclarece que um primeiro esboço do relatório foi entregue ao Governo no final da visita que fez a Portugal, no início de Novembro, ao qual os membros do Executivo fizeram os seus comentários. Com base neles, e também nas considerações dos membros do Fundo que acompanham o programa de ajustamento português, o FMI procedeu à revisão do documento e elaborou o relatório final, que entregou ao Governo dia 9 de Janeiro.

O FMI esclarece que todos os dados usados no relatório foram fornecidos pelo Governo português ou por organizações internacionais. E adianta que o documento foi feito no âmbito da ajuda técnica que oferece a todos os seus membros, pelo que teve custo zero para o Portugal.

O FMI afirma que cabe ao povo português decidir que papel quer para o Estado e que cabe às autoridades nacionais decidir o destino a dar ao relatório, bem como quais das reformas e das medidas propostas devem ser implementadas.

Confirma, por outro lado, que o relatório vai estar em discussão na sétima revisão do memorando de entendimento, já no próximo mês.

Recorde-se que o relatório sugere cortes nos salários e nas pensões, além de aumentos nas taxas moderadoras e nas propinas, entre outras medidas em vários sectores, incluindo educação, segurança e defesa.

PS fala em “falta de carácter deste Governo”

Numa primeira reacção, o PS não se mostra surpreendido e não poupa críticas: “Mostra, mais uma vez, a falta de carácter deste Governo”.

“Afinal, o estudo independente que o FMI tinha feito para o Estado português era uma encomenda, em que o FMI tinha bem delimitado aquilo que tinha de dizer e o que tinha de dizer era o que o Governo queria que o FMI dissesse”, critica o líder da bancada parlamentar socialista, Carlos Zorrinho.

Zorrinho não questiona encomendar-se “lá fora aquilo que se deve fazer cá dentro”, mas considera “absolutamente ilegítimo tentar passar por um estudo independente aquilo que foi uma encomenda.

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