Este é tudo, menos “Toto”. Moreirense 0 – Benfica 2
Segunda volta vai arrancar com encarnados no primeiro lugar. Resta saber se com a companhia do FC Porto. Exibição q.b., com mais engenho do que arte. Salvio foi novamente uma estrela cintilante e Lima picou o ponto diante de um Moreirense que é cada vez mais último.
A classe de outrora, de outras vitórias, de outras noites em que “avassalador” foi das palavras mais usadas no vocabulário, não se verificou hoje em Moreira de Cónegos. Nem foi preciso.
Houve alguma ousadia e atrevimento de um Benfica que geriu o esforço perante o frio e chuva minhota e um relvado que não é dos melhores, pelo que a definição de “serviços mínimos” assenta que nem uma luva.
Tudo porque, do outro lado, surgiu apenas um adversário dilacerado e privado de sete das suas principais unidades. Percebe-se o porquê do Moreirense ser último, percebe-se o porquê do regresso à Segunda Liga começar a ser um cenário incontornável. Não há soluções e a última vitória para o campeonato registou-se à segunda jornada.
Aproveitou o Benfica para ter uma das mais tranquilas noites da temporada. À terceira deslocação ao terreno dos cónegos, a segunda vitória e a certeza de que a “brincadeira” foi facilitada.
Um “Toto” a abrir caminho
A abrir, má abordagem, inaptidão para contrariar um Moreirense que deu um ar da sua graça ao enviar uma bola ao poste da baliza de Artur Moraes logo aos 14′. Apenas um mero “fogacho”. Salvio não quis ficar atrás, mas precisou de 47′ para igualar o feito do franco-argelino Ghilas.
Certo é que quem tem Salvio do seu lado está sempre preparado para ser surpreendido. Este, permita-se o trocadilho, não é nenhum “Toto”. Em Espanha, quando alinhava pelo Atlético de Madrid, não havia muita paciência para perceber o porquê de tão depreciativo apelido. Na realidade, nem por cá. O Benfica entrou de rompante na segunda metade e ainda Ricardo Andrade aquecia as luvas com uma iniciativa de Gaitán quando o extremo irrompeu pelo lado direito e só decidiu parar quando bateu o brasileiro e abriu o activo.
“Totó” – em português nos entendemos – é definido como uma “pessoa que é acanhada, inibida e não se desenrasca”. Daí que não se perceba, insistimos, num “nickname” de tal dimensão. Ele sabe o que faz, é desinibido, desenrasca-se.
E, sem intervenção directa no segundo golo de Lima, ainda esteve no início da jogada que levaria Ola John a assistir o “canarinho” para o 0-2 final.
Quando o Benfica não teve medo de arriscar, tudo correu bem. Quando Salvio demonstrou como tomar o risco, tudo se desbloqueou.
A águia encerra a primeira volta no topo da classificação, com 39 pontos, resultado de doze vitórias e apenas três empates. Resta saber se com companhia do bicampeão nacional em título. Quarta-feira, em Setúbal, haverá resposta.




