Investigadora de Vila Real estuda há 10 anos cancro da mama em animais domésticos
A professora da Universidade de Vila Real, Felisbina Queiroga, investiga há dez anos o cancro da mama nos animais domésticos procurando modelos comparativos com as mulheres, um trabalho que foi recentemente homenageado, avança a agência Lusa.
Dois grupos de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, foram homenageados pela Sociedade Portuguesa de Senologia (estudo das doenças da mama da mulher).
Um dos grupos é liderado por Felisbina Queiroga, que há dez anos investiga o cancro da mama nos animais domésticos.
“É consensual que as cadelas constituem um bom modelo para o estudo dos tumores de mama da mulher”, afirmou a investigadora à agência Lusa.
Essa evidência, de acordo com a responsável, resulta do facto de ambos serem tumores hormonodependentes, surgirem em idades muito semelhantes (maioritariamente a partir dos 07 anos na cadela, que corresponde a 40 anos na mulher), e de apresentarem vias de metastização análogas (a presença de metastização nos gânglios linfáticos regionais é determinante para o evoluir desfavorável da doença, tal como acontece na mulher).
A equipa de Felisbina Queiroga está a estudar tumores de mama espontâneos. “Isto é importante porque tumores com o mesmo tipo histológico (diagnóstico), podem apresentar diferente comportamento biológico, ou seja ser mais ou menos agressivos”, salientou.
Uma linha de investigação debruça-se sobre o papel da enzima Cox-2 nos tumores de canídeos. “Provamos que a Cox-2 está presente nos tumores e que os que a expressam em maior quantidade são também os mais agressivos clinicamente”, salientou.
“Em tumores de mama muito agressivos, como são os carcinomas inflamatórios da mama da cadela, estamos a usar anti-inflamatórios não esteróides, associados à quimioterapia. Esta associação tem demonstrado inequivocamente, uma melhoria na qualidade de vida dos animais.
Outro dos aspectos destacados pela responsável é o facto de, em teoria, ao se tratar a cadela com determinado medicamento, pode-se avaliar o seu efeito em menos tempo, comparativamente ao seu uso na mulher.
“Na medida em que um ano na vida de um cão corresponde aproximadamente a cinco anos na mulher, podemos chegar a conclusões num espaço de tempo mais curto”, frisou.
Felisbina Queiroga salvaguardou que, no entanto, “existem limitações no uso da cadela como modelo comparativo, pois estes animais não têm menopausa, pelo que o estudo se aplica ao cancro de mama da mulher pré-menopausico”.
Também é verdade, acrescentou, que alguns dos fármacos usados na mulher têm efeitos adversos consideráveis quando usados na cadela.
“Se a nossa investigação melhorar a qualidade de vida dos animais mesmo que não se possa almejar, para já, a cura, então darei por bem aplicado todo o tempo que despendemos no estudo desta doença”, concluiu.
A investigadora ganhou o Prémio Pfizer Ciências Veterinárias 2001.




