Quem investe em Portugal quer saber das reformas e não do défice
Estudo da consultora Ernst and Young mostra que sete em cada dez inquiridos esperam que reformas na educação, fiscalidade e no mercado laboral deixem o país mais atractivo.
Quem investe em Portugal, não quer saber se o défice desce, mas se as reformas avançam. São elas que mantêm o interesse no país, sobretudo as alterações no trabalho. É a conclusão de um estudo da consultora Ernst and Young, sobre a atractividade da economia nacional para o capital directo estrangeiro.
Ainda assim, muitos investidores continuam a ver o país como uma oportunidade, não pela capacidade tecnológica, mas pelos baixos custos do trabalho.
Não é a redução do défice ou da despesa pública que vai levar os investidores a colocarem dinheiro no país. Mas sim as reformas estruturais agora impostas pela “troika”, como a educação, a fiscalidade e, em particular, a reforma laboral.
Sete em cada dez inquiridos espera que estas alterações deixem o país mais atractivo. Já o efeito das medidas de consolidação não convence mais de 30% dos investidores. O estudo conclui ainda que Portugal tem melhor imagem lá fora do que cá dentro.
Mais de metade das empresas, já instaladas no país, garante que vai continuar por cá. Modesta é a vontade de realizar novos investimentos, não chegam a 30% os que admitem dar esse passo.
Mais consensual é a saída da crise. Uma esmagadora maioria, quase 80%, diz que Portugal vai ultrapassar a recessão e recuperar a economia.
Os investidores mostram-se sobretudo atraídos pelas infra-estruturas do país nas telecomunicações, transportes e logística. Outro factor a favor de Portugal é a partilha de língua, com países de elevado potencial, como o Brasil e Angola.
Menos favorável para Portugal é o facto de quase 20% dos inquiridos considerarem os baixos salários um factor muito atractivo no país.
Para este estudo, realizado pelo grupo francês CSA para a consultora Ernst and Young, foram inquiridos 201 investidores estrangeiros, entre Abril e Maio de 2012.
Metade dos inquiridos está já em Portugal, a outra metade pensa dar esse passo. As empresas desta amostra estão localizadas em quatro continentes e representam cinco sectores diferentes de actividade.




