FC Porto 5-0 Gil Vicente
Noite de massacre azul e branco. FC Porto é líder do campeonato, à frente do Benfica no capítulo da diferença entre golos marcados e sofridos.
Os equilíbrios combatem-se, regra geral, com desequilíbrios que, por seu turno, decorrem de atitudes com mérito. Peguemos nestes dois pontos: desequilíbrio no marcador final, desequilíbrio na valia de ambas as equipas, desequilíbrio na atitude, mérito de líder, demérito de equipa banal.
Tudo isto para complementar dois cenários. O primeiro visa uma vitória que mais se assemelhou a um massacre constante de noventa minutos. O segundo – condição “sine qua non” em relação ao primeiro -, bem mais importante, coloca os bicampeões nacionais no topo da classificação, com os mesmos pontos que o Benfica (39), mas com estatuto invertido. A liderança é azul e branca, graças à maior diferença entre golos marcados e sofridos.
Na crista da onda. Não do galo
Voltaire escreveu, um dia, sobre o “mérito inegável da poesia”, constatando que ela, a poesia, “diz mais e em menor número de palavras que a prosa”.
O mérito obtém-se com o respeito imediato do impacto inicial. Por isso, aos 11′, o dragão já encurtava o número de palavras gastas, graças a uma vantagem de dois golos conseguida muito cedo na partida. Danilo assinou um verso, Vítor Vinha completou a rima mas o texto assumia-se-lhe como nefasto para os sentidos.
Sem adulação, a realidade é que os encantos do jogo portista impressionavam. Sem deslumbramentos, a fluidez do domínio não era sôfrega, mas sim ponderada, ritmada, sem exageros, sem insistente pressão. Nem era preciso. O Gil Vicente era tudo o que o FC Porto não era: expunha-se, não sabia ter a bola controlada, permitia, quase que de forma masoquista, um controlo evidente do adversário. Ufa!, é possível introduzir um “desconto de tempo”?
Até à goleada, tudo natural
A confiança é inegável e os jogadores azuis e brancos transportaram o estado de espírito de uma para outra metade. Ao intervalo, a estatística assinalava uma brutal diferença de 83% de posse de bola para o FC Porto e de apenas 17% para o Gil Vicente.
A contribuir para o efeito, Moutinho ou Lucho, claro. Mas também Defour. O belga é homem de altos voos e voltou a prová-lo. Não precisa de realizar um jogo completo em velocidade de ponta, mas cumpre seja em que posição for. Hoje, porém, maravilhou. Basta rever, na televisão, o golaço que assinou. Por sinal, era o golo que dava o primeiro lugar ao FC Porto e um sorriso tremendamente rasgado no rosto de Vítor Pereira.
Daí para a frente, a naturalidade. E o futebol só é espectacular quando é espontâneo, natural, portanto. Depois da expulsão de Cláudio, abriu-se caminho para a goleada. Varela tratou do assunto e cimentou a superioridade portuense no jogo e no campeonato.
Tão natural como o andamento do marcador foi o cartão picado por Jackson Martínez. Este também é líder, mas na classificação de goleadores. O 15º tento no campeonato surgiu aos 90′. Bela maneira de fechar à chave a jornada 16 do campeonato.
Ainda há tempo para voltar ao tema do mérito? Numa guerra ganha, a todos se atribui mérito das proezas; numa guerra perdida, as responsabilidades são sempre atribuídas a uma única pessoa. Paulo Alves já tem os reforços, mas a “máquina” do 12º classificado da Liga continua emperrada. A via da recuperação mantém-se obstruída.




