“São os piores saldos dos últimos 35 anos”
Termina esta quinta-feira mais uma temporada de saldos de Inverno. Na Baixa de Lisboa, o comércio – sobretudo o tradicional – sente a crise como nunca. “O poder de compra está em baixo”, dizem.O ajustamento vai-se fazendo à medida das receitas. Já deu emprego a 50 pessoas. Hoje, são apenas oito e, no futuro, serão menos ainda. “Para ficar com os custos no mínimo, para tentar sobreviver”, justifica Hugo Félix.
A crise continua e vai-se fazendo sentir, sobretudo, no pequeno comércio. Só no ano passado, 5700 empresas fecharam portas. Grande parte delas nos distritos de Lisboa e Porto.
“Tudo muito fraco, a rua já nem parece a mesma”
De aprendiz de caixeiro, Jorge Gonçalves passou a gerente. Setenta anos passados atrás de um balcão e não se recorda de uma crise assim.“Agora não vendo nada comparado com o que se vendia”, assevera Jorge Gonçalves. “Na altura do Natal, era quase preciso uma dúzia de empregados e mesmo assim os clientes ralhavam connosco”. “Diziam que a gente não tinha fazenda. Hoje com dois ou três empregados resolvemos o problema à vontade, à vontadinha”.
A idade já pesa e os clientes “vão envelhecendo também”. E os “nossos jovens”, reconhece, “não têm tempo para vir aos nossos estabelecimentos”. E vai resistir até quando? “Até Deus me deixar por cá, vamos lá ver”, atira o sábio marçano.
Actualização das rendas é mais uma dor de cabeça
Também na Baixa lisboeta, António Sousa “aguenta o barco sozinho”. “O trabalho é tão pouco, os clientes não aparecem, portanto, eu dou conta do recado”, explica.
Vai tentando “aguentar mais uns tempos, a ver se isto melhora”, mas admite: “Não sei se vou fechar”.
“Olhe”, confessa, “estou à espera principalmente da carta do senhorio por causa da renda”. “É porque esta loja paga 179 euros e não sei quanto é que o senhorio vai pedir”. A partir daí, conclui, “é que vou decidir se entrego a loja ou não”.
A actualização das rendas urbanas inscrita na nova lei é uma das preocupações da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal. Vasco Mello, vice-presidente da CCP, admite que a “actualização das rendas é outro factor importante”, que pode ditar o fecho de mais empresas.
A este problema acresce a “questão da facturação”. “Temos dito que o modo como está a ser implementado constitui um acrescento de custos administrativos, ao qual se acrescenta uma perspectiva económica muito negativa, que se agravou no último quartel de 2012 e se está a prolongar pelo primeiro quartel de 2013”, sublinha Vasco Mello.




