Venezuela vive horas de angústia após agravamento da saúde de Chávez
A Venezuela está a viver horas de angústia após o último boletim do governo que deu conta do agravamento do estado de saúde do presidente Hugo Chávez, alimentando a incerteza política no país.
O canal oficial VTV pediu aos simpatizantes do presidente que iniciassem orações a partir das 9:00 locais (13:30 em Lisboa) em frente ao hospital militar de Caracas, onde Chávez permanece internado.
«No dia de hoje houve um agravamento da função respiratória relacionado com o estado de imunodepressão próprio da sua situação clínica», anunciou na segunda-feira o ministro da Informação, Ernesto Villegas.
«Actualmente apresenta uma nova e severa infecção», acrescentou o ministro, responsável por ler os boletins médicos sobre a saúde do presidente, sem prever um eventual regresso, inabilitação ou renúncia de Chávez.
Os estudantes que acamparam há uma semana no bairro de Chacao, reduto da oposição na capital, para exigir a verdade sobre a saúde do presidente, reagiram com cepticismo ao último boletim médico.
«Nós continuamos à espera de uma resposta concreta, que nos digam se o presidente pode voltar a governar ou não e, se não, que se declare a sua falta absoluta e que eleições sejam convocadas», disse à AFP Gerardo Leaiza, 22 anos, estudante da Universidade de Zulia.
Chávez completa hoje 15 dias após o surpreendente regresso ao país, depois de permanecer mais de dois meses em Cuba, onde foi operado a 11 de Dezembro pela quarta vez contra um cancro detectado em 2011.
O presidente é submetido a «sessões de quimioterapia de forte impacto, entre outros tratamentos complementares», destacou Villegas.
«A evolução do seu quadro clínico continua a ser muito delicada», acrescentou.
Após a cirurgia, Chávez, de 58 anos e no poder desde 1999, tem sofrido com problemas respiratórios, mas o governo garante que este continua no comando do país e desmente os boatos de uma possível desestabilização da Venezuela.
Villegas acusou os «laboratórios estrangeiros» e a «direita venezuelana» de criar uma «guerra psicológica» para «gerar cenários de violência como pretexto para uma intervenção estrangeira».
O governo «repudia a atitude farisaica daqueles inimigos históricos de Hugo Chávez, que sempre lhe dirigiram ódio, insultos e desprezo, e que agora tentam utilizar a sua situação de saúde como desculpa para desestabilizar a Venezuela», disse o ministro.
Desde o regresso a Cuba, o mistério sobre a saúde de Chávez permanece impenetrável como antes. Não existem registos de imagens da sua estadia no país e, durante a prolongada convalescença, o governo divulgou fotos apenas uma vez, em Havana, na cama, ao lado das filhas, com o jornal Granma na mão.
«A informação dada ontem pelo ministro Villegas (…) já começa a aproximar-se de uma informação mais dura sobre o desenlace do processo da doença», afirmou o analista Luis Vicente León, presidente da empresa Datanálisis, ao canal Globovisión.
Mas para León, o boletim também representa informação política.
«Tem os filtros correspondentes à política, a política vai decidir que coisas podem ser ditas e quando podem ser ditas», afirmou.
Chávez foi diagnosticado comcancro- do qual se desconhece a localização exacta e a gravidade – em meados de 2011 e desde então foi submetido a quatro cirurgias, assim como a ciclos de quimioterapia e radioterapia. Foi tratado quase exclusivamente em Cuba, onde gozou de total privacidade.
Os problemas de saúde impediram Chávez de tomar posse a 10 de Janeiro, depois da reeleição de Outubro de 2012 para um terceiro mandato de seis anos.
Em Janeiro, a Assembleia Nacional concedeu ao presidente uma permissão indefinida de ausência do país para tratar a doença, enquanto o Tribunal Supremo de Justiça autorizou a posse quando Chávez estiver em condições.
Chávez nomeou o vice-presidente Nicolás Maduro, 50 anos, como herdeiro político e candidato governista caso não possa reassumir o poder e no caso de convocação de novas eleições num prazo de 30 dias.




