Corpo e carro de Carina encontrados numa ravina da A24 (Actualizada)

[audio:http://rclamego.pt/jornalonline/wp-content/uploads/2010/06/2010_06_07_carina_reaparece.mp3|titles=Corpo e carro de Carina encontrados numa ravina da A24]O corpo e o carro de Carina Ferreira, a jovem de Lamego desaparecida a 1 de Maio, foram encontrados na Auto-estrada 24 entre Lamego e Régua, pouco antes do Túnel do Varosa, por militares das Operações Especiais. A PJ aponta como primeira causa para acidente de viação mas só a autopsia, que será realizada hoje, poderá determinar as circunstâncias da morte. O carro foi retirado só de madrugada devido às dificuldades de acesso ao local onde foi encontrado, uma ravina com cerca de 30 metros de profundidade.

O carro “foi localizado ao km 99, 2 km depois de Lamego, no sentido da Régua”, disse ao DN fonte oficial da PJ que apontou para “um mais que provável acidente de viação. A notícia da descoberta do corpo de Carina, deixou os amigos consternados e pôs cobro a uma especulação que se arrastava desde 1 de Maio quando a jovem saiu de casa, para trabalhar na Régua.

O desaparecimento terminou ontem da pior maneira mas para um familiar, que prestou declarações sob anonimato, o aparecimento do corpo “infelizmente, serve para acalmar a angústia desta família”.

Os pais de Carina Ferreira, mantêm-se em silêncio e a conselho da PJ, não se deslocaram ao local.

O carro estava “caído numa ravina, com 30 metros e o corpo da jovem ainda tinha o cinto de segurança colocado”, adiantou a fonte segundo a qual “só a autópsia poderá determinar a causa da morte mas neste momento tudo aponta para acidente”.

De acordo com este relato o carro “foi detectado ao final da tarde de segunda-feira por militares das Operações Especiais que efectuavam manobras na área, que é usada como local de treinos”.

O corpo foi removido ontem, cerca das 22 horas, para o Instituto de Medicina Legal de Vila Real onde hoje deverá ser autopsiado.

Em comunicado, a PJ foi cautelosa e assumiu que “tudo indica tratar-se de um infeliz desfecho derivado de um acidente de viação, mas apenas os resultados da autópsia, a realizar pelo Instituto de Medicina Legal, poderão confirmar, ou não, tal ocorrência, mantendo-se em aberto outras possibilidades da causa da morte”.

Carina Ferreira estava desaparecida desde 1 de Maio, quando saiu de sua casa, em Lamego, com destino à Régua.

Na Régua a irmã e uma amiga, que a esperavam, estranharam a demora e tentaram contactá-la para os telemóveis, mas Carina já não atendeu. A família apresentou queixa na PSP de Lamego, logo no primeiro dia, que accionou a PJ.

No domingo de manhã, o segundo dia do desaparecimento, alguns familiares percorreram o trajecto habitualmente usado pela jovem, através da A 24, mas não encontraram qualquer vestígio de acidente. Amigos e familiares assumiram o desaparecimento e encetaram os primeiros contactos. Andreia Santos criou uma página no Facebook e divulgou-a junto de amigos e conhecidos.

 

Consternação e pesar no Facebook

“Nunca te esqueceremos amiga”. O comentário, postado ontem mal se soube da circunstância da descoberta de Carina Ferreira, deu origem a uma onda de solidariedade entre os mais de 34 mil membros da página do Facebook que procurava encontrar a jovem. Ainda assim houve quem lamentasse a forma como as buscas foram feitas.

“Fico profundamente triste mas assim sabemos que não está na mão de ninguém a sofrer”, disse Sandra Rocha. Em poucas horas a página no Facebook encheu-se com comentários de dor e pesar mas houve quem, como Sofia Silva questionasse como “foi possível não fazerem buscas para saber se se tinha tratado de um acidente?”.

O corpo de Carina Ferreira é hoje autopsiado em Vila Real e o funeral deverá ser realizado amanhã.

Cronologia:

1 de Maio: Trabalhou no Clube de Caça e Pesca da Régua até às 20 horas. Regressa a casa, de onde sai para regressar ao clube, cerca das 22:00. Pega no carro, que abastece de combustível e nunca mais foi vista.

2 de Maio: Familiares fazem, de madrugada, queixa do desaparecimento e iniciam buscas no terreno à procura de vestígios de acidente.

3 de Maio: Amigos criam página no Facebook e movimentam as redes sociais.

7 de Maio: O DN, o primeiro jornal nacional a divulgar o caso, está na origem de uma campanha mediática que há-de levar o caso às rádios e às televisões. A PJ assume que está a investigar o caso, que “não há qualquer indício de crime” e considera “imprudente falar em desaparecimento”.

8 de Maio: O DN divulga o relacionamento da jovem com militares das operações especiais. Na internet há quem assuma que possa ter-se ausentado do país. A PJ lembra que Carina “é uma mulher autónoma, independente e livre de ir para onde quiser”.

11 de Maio: PJ faz buscas de helicóptero no rio Douro e Balsemão mas nada encontra.

13 de Maio: PJ assume agora que pode haver crime. Na internet são já mais de vinte mil pessoas em busca de Carina.

17 de Maio: PJ conseguiu a triangulação dos 2 telemóveis de Carina e determina uma área para buscas.

18 de Maio: PJ inicia buscas nos rios da região. Primeiro no Balsemão, uma área de treino militar usada pelas operações especiais e depois no Douro. As buscas incluem mergulhadores, agentes e pessoal da Marinha. As turbinas da barragem do Balsemão são passadas a pente fino.

19 de Maio: Manuel Catarino, avô de Carina, assume que há crime e que a neta não tinha razões para fugir. Prosseguem as buscas.

20 de Maio: Encontrado um Peugeot no rio, em Folgosa do Douro, que se confirma não ser o da jovem.

21 de Maio: Os pais e amigos da jovem optam pelo silêncio, de forma a não prejudicar a investigação das autoridades.

24 de Maio Apesar da atenção que o caso tem tido, nem a fotografia nem a matrícula do carro que conduzia foram distribuídas pelos postos da GNR na região

25 de Maio: PJ reforça a equipa de investigadores, comandada por Helena Monteiro e composta por inspectores da área dos desaparecimentos, rapto, homicídio e sequestro. Há ainda elementos do combate à droga e ao banditismo.

7 de Junho: O corpo e o carro são encontrados a 2 km de Lamego numa ravina paralela à A 24.

Fonte: DN

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