Dezenas de milhares de manifestantes protestaram contra presidente francês

Manifestantes FrançaDezenas de milhares de manifestantes tomaram hoje as ruas em várias cidades francesas para protestar contra o primeiro ano do mandato do presidente socialista François Hollande, exigir o fim da austeridade e a revogação do casamento homossexual.

Na véspera de se assinalar um ano sobre a vitória de François Hollande sobre o antigo presidente conservador Nicolas Sarkozy, a Frente de Esquerda francesa (Front de Gauche) — uma aliança eleitoral e parlamentar dos partidos de esquerda -, reuniu milhares de apoiantes em Paris que marcharam rumo à Praça da Bastilha.

Num discurso na capital francesa, Jean-Luc Mélenchon, figura de proa da Front de Gauche e candidato nas últimas eleições presidenciais, acusou o chefe de Estado francês e o Partido Socialista de terem traído os partidos de esquerda.

“Nós não queremos o mundo das finanças no poder! Não aceitamos a política de austeridade!”, afirmou, perante uma multidão que agitava bandeiras vermelhas dos vários movimentos de esquerda.

De acordo com a polícia, na concentração de Paris terão participado cerca de 30 mil pessoas, enquanto os organizadores falam em 180 mil.

Outros milhares de pessoas participaram em protestos isolados em Paris, Lyon, Rennes, Lille ou Montpellier para expressarem a sua oposição à aprovação, a 23 de abril, do casamento homossexual, e exigirem a revogação do diploma.

Após intensos debates e vários protestos, a medida dividiu a sociedade francesa e a oposição conservadora anunciou o envio do diploma para ser fiscalizado pelo Conselho Constitucional. A instância deve pronunciar-se dentro de três semanas.

François Hollande, que prometeu em maio de 2012 ser o “senhor normal” de que França precisava, dificilmente poderia imaginar que um ano depois de ser eleito seria o chefe de Estado menos popular da história moderna francesa.

Primeiro presidente francês socialista em quase duas décadas, depois de François Mitterrand (1981-95), Hollande cortejou os eleitores com promessas que incidiram na estimulação do crescimento económico, na criação de emprego e numa política de rutura em relação ao seu antecessor, o conservador Nicolas Sarkozy.

Um ano depois, e segundo sondagens recentes, o eleitorado francês daria um “cartão vermelho” a Hollande, atribuindo a vitória eleitoral a Sarkozy.

Se as eleições presidenciais se realizassem neste momento, Hollande seria derrotado na primeira volta, reunindo apenas 19% das intenções de voto. O atual chefe de Estado francês seria ultrapassado por Sarkozy (34%) e pela líder da extrema-direita Marine Le Pen (23%).

Uma das metas traçadas por Hollande era travar a trajetória ascendente do desemprego até finais de 2013, objetivo considerado como inatingível pela maioria dos economistas.

O escândalo envolvendo o ex-ministro do Orçamento Jérôme Cahuzac, que acabaria por apresentar a demissão em março, após ocultar a existência de uma conta na Suíça para fugir aos impostos, também manchou a imagem de Hollande.

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