Bloco de Esquerda quer que Governo resolva 33 salários em atraso na Casa do Douro

Casa do DouroO Bloco de Esquerda (BE) vai entregar esta semana, na Assembleia da República, um projecto de resolução em que pede ao Governo que resolva o problema dos 33 salários em atraso dos trabalhadores da Casa do Douro.

Os deputados Luís Fazenda e Pedro Filipe Soares reuniram hoje, no Peso da Régua, com os funcionários do quadro privado e com a direcção da Casa do Douro.

À saída do encontro, Luís Fazenda anunciou que o BE vai entregar um projecto de resolução, dirigido à ministra da Agricultura, através do qual pede ao Governo que “regularize a situação independentemente destes 25 trabalhadores não terem vínculo público”.

O BE lançou ainda o repto a todos os partidos com representação na AR para que se juntam a esta iniciativa parlamentar.

A CD é uma associação privada de direito público e de inscrição obrigatória. No seu seio coabitam funcionário públicos que possuem os salários em dia e os 25 trabalhadores do quadro privado da instituição que não recebem salários há quase 33 meses.

Precisamente por causa desta “natureza pública” do organismo, o deputado salientou que o Ministério da Agricultura “não se pode desresponsabilizar da situação dos trabalhadores”.

Luís Fazenda defendeu ainda que se deve “autonomizar” a situação destes funcionários, “independentemente da viabilização financeira da CD”.

“São processos que devem ser autonomizados e tratados cada um ao seu modo”, salientou.

Mas a “prioridade”, de acordo com o parlamentar, tem de ser dada aos trabalhadores.

Quanto à situação da CD, que vive numa asfixia financeira e uma divida de cerca de 120 milhões de euros, o Bloco entende que o “Estado vai ter que se definir”.

“Um Estado que fez amnistias fiscais volumosas, o ministro das Finanças que fez também já grandes amnistias fiscais, não pode criar um impedimento fiscal a uma solução de viabilização financeira da CD, independentemente da natureza do estatuto que a CD venha a ter no futuro”, sublinhou.

Na semana passada, na AR, a ministra da Agricultura remeteu para o Ministério das Finanças uma solução para os problemas da instituição, afirmando que espera apresentar em breve uma proposta “viável” no parlamento.

“A região não pode ser apenas um invólucro que é Património Mundial e depois por dentro está caduca, isso não pode acontecer e a região não pode ser objecto de uma pilhagem absoluta por parte do grande comércio e de outras instituições”, acrescentou Luís Fazenda.

Um dos funcionários da CD disse aos jornalistas que a situação em que vivem “está a piorar”.

“Foi a primeira vez que vimos por parte dos deputados, independentemente do partido, que havia realmente a preocupação em resolver o problema dos salários, porque é inadmissível, não se passa em lado nenhum. Desta vez acho que se notou essa preocupação”, referiu.

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