Mercado chinês deve ser “grande prioridade” de Portugal
O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) defende que a China “deve ser uma das grandes prioridades da geoestratégia de Portugal”.
“Portugal representa para a China um parceiro privilegiado para a entrada em outros mercados. A abertura, no processo das privatizações, e em outros, a capitais chineses, permitiu que empresas chinesas alargassem o seu âmbito de atuação a outras geografias através das empresas portuguesas, ao mesmo tempo que contribuíram para a sua recapitalização e necessidades de financiamento”, afirmou Pedro Reis em declarações à agência Lusa, quando se assinalam 500 anos da chegada do primeiro português à China, em 1513.
No ano passado, as exportações de bens portugueses para a Pequim ascenderam a 779 milhões de euros, mais 96,3% do que um ano antes e nos últimos dois anos, assistiu-se em Portugal à entrada de capitais chineses nas privatizações da EDP e da REN.
O presidente da AICEP destacou que no caso da lusofonia, em países como o Brasil, Angola e Moçambique, “as empresas portuguesas podem oferecer à China oportunidades interessantes de acesso ao mercado, designadamente através de parcerias”.
No universo da União Europeia, Portugal, “pelo seu posicionamento geoestratégico, acessibilidades e condições logísticas, pode crescentemente assumir um papel de plataforma para a entrada de produtos chineses na UE”.
Para Pedro Reis, “a relação bilateral entre Portugal e China possui todos os ingredientes positivos necessários para afirmar-se no médio e longo prazo como terreno fértil para o desenvolvimento de negócios”.
Por isso, “a China deve, sem dúvida nenhuma, ser uma das grandes prioridades da geoestratégia de Portugal”, apontou.
Pedro Reis adiantou que “nos últimos dois anos, as relações económicas e comerciais com a China têm-se intensificado, tornando este país num parceiro comercial crescentemente relevante e com bastante potencial ainda por desenvolver”.
Em 2010, a China era o 21.º parceiro de Portugal no ‘ranking’ das exportações portuguesas, em 2011 passou para 14.º lugar e, no ano passado, o peso na “radiografia do comércio internacional” português posicionou a China com a 10.ª posição.
“É um dinamismo comercial que acredito que tenha vindo para ficar”, disse Pedro Reis, recordando que no ano passado a AICEP realizou duas visitas à China e recebeu 10 visitas empresariais de delegações de várias províncias chinesas.
“Este ano, temos tido uma intensa agenda de trabalho dedicada à China, incluindo Macau e Hong-Kong, com diversas iniciativas no mercado e cá em Portugal, estando prevista a participação da AICEP em diversos seminários empresariais e feiras ao longo deste ano”, como o China-Macau Trade Investment Fair, em Xiamen, o Encontro Empresarial entre a China e os países de língua portuguesa em Timor-Leste e o China Overseas Investment Summit.




