Mário Soares: “Brasil pode ajudar, mas Portugal tem de sair da crise por si próprio”
O antigo presidente da República Mário Soares defendeu, após uma reunião com a presidente brasileira, que o Brasil poderá ajudar, mas Portugal tem de sair da crise pelos seus próprios meios, o que passa pela demissão do Governo.
“O Brasil pode sempre ter [um papel], mas nós vamos ter de sair da crise pelos nossos próprios meios e eu acho que uma boa maneira de sair da crise é que este Governo se demita”, disse o ex-chefe de Estado, acrescentando que o executivo “já o devia ter feito”.
Soares falava aos jornalistas à saída de um encontro com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, em visita de Estado a Portugal, proposto pelo próprio ex-presidente.
Num balanço da reunião, o ex-presidente disse ter ficado “extremamente encantado” com Dilma, que não conhecia e considerou “superiormente inteligente” e “extremamente simpática”.
“Somos camaradas, temos um pensamento muito próximo (…) somos ambos de esquerda, temos um pensamento muito claro acerca do que se está a passar e concordámos praticamente em tudo”, disse Soares sobre a reunião, que demorou cerca de uma hora e decorreu num hotel de Lisboa.
Considerando-se um “brasilófilo, um grande amigo do Brasil”, Soares disse ser “uma alegria” ter o Brasil na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), ao contrário do que pensam os britânicos, que “sempre tiveram medo de meter a América na Commonwealth.
“O Brasil é um país irmão, um país que respeitamos muitíssimo e queremos que progrida como está a progredir”, afirmou.
Na sua segunda visita oficial a Portugal, que coincide com o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a presidente brasileira estará na cerimónia de entrega do Prémio Camões a Mia Couto, no Palácio de Queluz.
Depois da cerimónia, Dilma Rousseff participará num jantar oferecido pelo Presidente Cavaco Silva, antes de seguir, ao fim da noite, de regresso ao Brasil.




