EUA e Paquistão retomam diálogo suspenso desde 2011

John KerryOs Estados Unidos e o Paquistão decidiram retomar o diálogo estratégico entre os dois países, um processo interrompido em 2011, um ano após o seu início.

O anúncio ocorre no âmbito da visita do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, à capital paquistanesa Islamabad.

“Os nossos interesses comuns ultrapassam em muito as diferenças que possamos ter tido”, afirmou Kerry, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo paquistanês, Sartaj Aziz.

“Os Estados Unidos estão empenhados em ter uma ligação a longo prazo com o povo do Paquistão, baseada nos interesses e no respeito mútuos”, reforçou o chefe da diplomacia norte-americana, que esteve reunido durante mais de uma hora com o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif.

Kerry transmitiu ao chefe do Governo paquistanês um convite oficial do Presidente norte-americano, Barack Obama, para que visite, possivelmente dentro de um mês, a Casa Branca para uma ronda de conversações sobre as relações bilaterais entre Washington e Islamabad e a luta contra os talibãs.

“De forma a prosseguir as importantes conversações bilaterais ao mais alto nível, transmiti ao primeiro-ministro Sharif, em nome do Presidente dos Estados Unidos, um convite para um encontro durante uma cimeira bilateral nos Estados Unidos no próximo outono”, referiu o representante norte-americano, precisando posteriormente que o encontro poderá ocorrer dentro de um mês.

O diálogo estratégico entre os dois países, que contou com três rondas de conversações em 2010, inclui contactos em diversas áreas, com destaque para a economia e a segurança, segundo afirmou Sartaj Aziz, assessor especial do primeiro-ministro paquistanês para os Negócios Estrangeiros.

O representante das autoridades de Islamabad acrescentou que a próxima ronda de contactos será realizada “dentro de seis meses”.

Kerry, que chegou na quarta-feira a Islamabad para realizar a sua primeira visita ao Paquistão como secretário de Estado, estará ainda com o Presidente cessante Asif Ali Zardari e o chefe do Estado-maior das Forças Armadas paquistanesas, o general Ashfaq Pervez Kiyani.

Durante estes contactos, Kerry irá abordar a necessidade de reforçar a luta contra a presença no país de grupos insurgentes islâmicos, perto da fronteira com o Afeganistão, numa altura em que as forças norte-americanas estão a preparar a retirada do território afegão em finais de 2014.

A última visita de um chefe da diplomacia norte-americana ao Paquistão tinha acontecido em outubro de 2011. Na altura, o cargo era assumido por Hillary Clinton.

Na época, a então secretária de Estado norte-americana também exortou os líderes paquistaneses a desmantelarem os refúgios dos insurgentes afegãos localizados nas zonas tribais do noroeste do Paquistão.

As relações bilaterais entre Washington e Islamabad enfrentaram uma crise particularmente grave após a captura e execução em maio de 2011 pelas forças norte-americanas do então líder da rede terrorista Al-Qaida Usama Bin Laden, que vivia num esconderijo localizado no território paquistanês.

O Paquistão também contesta regularmente os ataques realizados pelas forças norte-americanos com drones (aviões não tripulados) que visam os extremistas islamitas refugiados nas zonas tribais do noroeste do território paquistanês, mas que têm provocado a morte de vários civis.

As autoridades paquistanesas consideram que estas operações constituem um atentado à soberania do país, mas os Estados Unidos alegam que estas operações são um elemento-chave na luta contra os grupos extremistas naquela região.

Durante a conferência de imprensa, Sartaj Aziz reforçou a posição defendida por Islamabad sobre o assunto, um dos mais polémicos das relações entre os Estados Unidos e o Paquistão.

“Reiteramos que são uma violação da nossa soberania e também são contraproducentes”, afirmou o representante paquistanês.

Quando questionado sobre o assunto, Kerry manteve-se fiel ao discurso defendido por Washington.

“Existe uma política clara e transparente que guia as nossas ações [anti-terroristas]”, afirmou Kerry, defendendo que quem viola a soberania paquistanesa é “Al Zawahiri [o atual líder de Al-Qaida] quando ordena ataques a mesquitas e mercados” no Paquistão.

A visita de Kerry ao Paquistão ocorre dias depois da eleição do empresário Mamnoon Hussain, pelos deputados e senadores do país, para a presidência paquistanesa.

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