Mário Soares: «Uma parte do Governo é de delinquentes»
O antigo Presidente da República Mário Soares defendeu em entrevista que este é um Governo de «delinquentes» e que alguns dos seus membros «têm que ser julgados, depois de saírem do poder», exigindo mais atitude de Cavaco Silva. Questionou-se «como é possível» que o ministro Rui Machete e o primeiro-ministro ainda se mantenham em funções.
Soares apontou duras críticas ao Governo, afirmando que está «moribundo», e ao presidente da República, Cavaco Silva, porque «não diz uma palavra». «Este Governo não tem rei nem roque, nem sabe o que quer, nem sabe para onde vai», afirmou Soares, censurando um Governo que quer «acabar com o Estado social» e cujos membros «vão cair muito antes» de Junho, quando está previsto o fim do programa de assistência da troika de credores internacionais. «É inevitável. Antes que o ódio do povo se torne violento», salientou. «Como é que é possível que um político como o ministro dos Negócios Estrangeiros, não se demita ele próprio? Não ter sensibilidade e inteligência para o fazer?», disse sobre Rui Machete (que foi vice-primeiro-ministro de Soares em 1985, no Governo de coligação PS/PSD). «Como é que é possível que alguém, que foi uma pessoa que parecia simpática e séria, de repente aparece com a situação que se sabe e não se demite…», disse, acrescentando que Pedro Passos Coelho deveria fazer o mesmo: «Como é que é possível que o primeiro-ministro não se demita a ele próprio, depois de saber que é vaiado em toda a parte, que ninguém o toma a sério (…) e continue agarrado ao poder, como uma lapa?». Para o antigo chefe de Estado, «estes senhores têm de ser julgados depois de saírem do poder».




