Parem o barco. Também vamos ao Brasil
Suécia 2-3 Portugal. Está a ver o rapaz que enverga o “7” ao peito? É o melhor do Mundo. E é nosso. Noite perfeita de Cristiano Ronaldo guia Selecção ao Mundial 2014. Complicado, sim, mas nunca dramático. Porque o capitão assim o quis.
Esperem. Podemos demorar, mas não perdemos a embarcação do Atlântico, rumo a terras de Vera Cruz. E, desta feita, não haverá velhos do Restelo a augurar uma viagem conturbada e sem efeitos.
Esperem. Podemos demorar, mas o fado deste país à beira-mar plantado é deixar para amanhã aquilo que se pode fazer com tempo de sobra.
Esperem. Podemos demorar, mas temos classe. Não damos uma luta por perdida. Ultrapassámos as agruras do passado e um presente que quase deitava por terra a qualificação para o Mundial, quando Ibrahimovic decidiu “bisar” e fazer “tremer” as cores da bandeira nacional.
Mas nova vitória (2-3) diante da Suécia comprovou todas estas evidências. E também que “polémica” é termo que espevita o capitão Cristiano Ronaldo. É que foi o melhor jogador do Mundo de 2013 – indesmentível, indubitável – a decidir, uma vez mais, o triunfo diante de Ibrahimovic e companhia.
Com brio, com mestria, com liderança, com sentido de responsabilidade. Com os quatro golos portugueses da eliminatória (total de 4-2) e com o fiel escudeiro João Moutinho no apoio. Venha a oitava presença numa fase final de uma grande prova de selecções.
Ainda bem que apareceste, Selecção
Prometiam antagonismo, prometiam ambiente decisivo para apurar a Suécia. Mas, ao contrário do mobiliário de elevada qualidade que o país produz, a maleabilidade da cortiça portuguesa faz maravilhas.
Não se via uma Selecção assim há muitos, muitos jogos. Surgiu, como habitualmente, na hora da decisão. Com personalidade, com domínio, com controlo.
A primeira parte foi de qualidade. Bruno Alves ameaçou, numa bola parada, com Isaksson a responder ao mais alto nível. Os suecos andavam perdidos com a organização e sobriedade que Paulo Bento imprimiu durante os últimos dias à equipa lusa.
Ronaldo também quase fazia o gosto ao pé. Não foi durante os primeiros 45′. Mas a etapa complementar seria memorável.
Antologia para a posteridade
Podem provocá-lo. Não importa, ele reage em força e dispara para o fundo da baliza de Isaksson, logo aos 5′ da segunda parte, com assistência de autêntico primor de outro “patrão”, João Moutinho.
Podem injuriá-lo. Não importa, ele responde com classe e, perante o “bis” de Ibrahimovic que deu a volta ao marcador, manteve a calma e o temperamento e marcou mais dois. Igualou Pauleta no topo da classificação de melhores marcadores de sempre da Selecção “AA”. Mas isso tem pouca relevância.
Estamos no Mundial, com “bailinho” da Madeira. À moda de Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Obrigado. Foi um esplendor.




