Director da Marsans garante que situação será resolvida e nega fecho de lojas

O diretor geral do Grupo Marsans em Espanha, Ivan Losada, fez esta segunda-feira um apelo à calma afirmando, em entrevista à Lusa, que a empresa em Portugal está a tentar todos os esforços para resolver a situação de todos os clientes. Losada garantiu ainda que nenhuma das 30 lojas da Marsans Lusitânia vão fechar, declarando-se disponível para que o Governo, ou qualquer outra entidade, tutele a situação da empresa.

Estamos totalmente disponíveis para que o Governo, ou qualquer outra entidade, tutele a situação. Atuaremos com total transparência”, afirmou Ivan Losada, em entrevista à Lusa.

Questionado sobre o facto de algumas lojas não terem aberto esta segunda-feira, Losada explicou que os empregados sempre estiveram “lá dentro” mas que “a acumulação de gente” levou a que optassem por não abrir.

“O problema é que nem todos os clientes entendem que a pessoa que vende não tem responsabilidade e que, muito menos, tem capacidade para lhes devolver ali o dinheiro”, afirmou.

“Hoje não se pode pagar a toda a gente mas vamos tentar, progressivamente, resolver todos os casos. Desde, claro, que não venha toda a gente cancelar ao mesmo tempo”, afirmou.

Losada mostrou-se disposto a ajudar nos casos das reclamações recebidas pelo Deco (eram conhecidas cerca de 60 na altura da entrevitsta) — um total que considerou “minoritário face ao volume de negócios da Marsans Lusitânia”.

“É preciso algum tempo para resolver isto. Gostávamos que não houvesse nenhuma reclamação e estamos a tentar responder. Mas se todos cancelarem teremos problemas, ninguém está preparado para que se cancele tudo ao mesmo tempo”, afirmou Ivan Losada.

Marsans apela à calma

“Há rumores interessados de quem quer aproveitar-se da situação para gerar mais alarme e isso só está a agravar a situação. Faço um apelo à calma e reitero que a situação em Portugal não tem que ser afetada pela situação da Marsans em Espanha”, afirmou Losada.

O responsável do grupo espanhol explicou que apesar de pertencer ao grupo Marsans — a braços com uma situação financeira complexa — a empresa Marsans Lusitânia é uma empresa “independente”, de capital espanhol mas de direito português.

“Tem a sua própria conta de resultados, receitas e custos e condições para assumir perfeitamente as suas responsabilidades”, insistiu.

“Estamos a viver uma situação idêntica à de um banco a que, de repente, todos os clientes acorrem para levantar o dinheiro”, explicou.

“Estamos a tentar todos os esforços para ajudar a resolver a situação dos clientes afetados. O que temos é um problema de cash flow que se deve, em parte, a atrasos nos pagamentos de muitos dos nossos clientes, nomeadamente grandes empresas”, frisou Losada.

O reponsável negou que em qualquer momento tenha havido instruções para fechar as lojas e para pedir dinheiro aos clientes, sem intenção de as voltar depois a abrir ou de resolver a situações dos clientes afetados.

A empresa está atualmente a viver o impacto da saída de Constantino Pinto – diretor da empresa em Portugal até há cerca de sua semana – e a sua substituição por uma junta diretiva que está a gerir interinamente a Marsans Lusitânia.

“O pessoal estava bastante cansado com a situação das últimas semanas e com as informações que chegavam de Espanha que levaram a alguma desconfiança dos clientes e dos nossos fornecedores”, afirmou.

“Criou-se uma situação limite e foi decidido dar algum descanso ao pessoal durante o fim-de-semana. Até então as pessoas que tinham ficado em terra eram um pequeno grupo cuja situação estávamos a resolver”, afirmou.

“Com as nossas receitas e os ativos, incluindo os direitos de cobrança, somos capazes de enfrentar isto”, afirmou.

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