Escola de Valpaços passa de modelo a dispensável

A escola Secundária de Valpaços é mais que uma escola. É uma casa. Uma casa grande. Para 600 alunos. Nas janelas não há estores, há cortinas de cor. Nos halls, há espelhos com mesinhas por baixo; há candeeiros, há candelabros, há quadros por todo o lado; no refeitório, há um louceiro e as mesas são redondas.

Só os laboratórios e as salas das aulas de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) são como nas restantes escolas.

Nas paredes das salas de aula e nas das casas-de-banho não há um único risco e nos muros exteriores não há grafitis.

É uma espécie de humanização levada ao limite. É assim para que todos “sintam” a escola”; Para que, sobretudo, ao alunos das aldeias, que passam ali muito tempo, se sintam em casa.

Há cerca de dois anos, quando foi inaugurado um novo pavilhão, impressionado com o que via, o então secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, em plena visita, ao estabelecimento, pegou no telemóvel, ligou à ministra e, perante toda a comitiva, disse-lhe que devia visitar aquela escola.

Dia 1 de Agosto, a Escola Secundária de Valpaços (ESV) vai ser extinta, vai integrar o Agrupamento de Escolas de Valpaços, que agrupará todas as escolas do concelho.

A comunidade escolar não se conforma. Não sentem que vão apenas perder a escola. Sentem que vão perder uma casa.

“É uma dor muito grande”, explica o ainda presidente do conselho executivo da ESV, Abel Conde Ribeiro, que há 24 anos, sempre com funções directivas, ajuda a construir esta escola/casa.

“Foi tudo muito repentino. Sem nos dizerem absolutamente nada, fomos confrontados com a unificação. Isto não é democrático”, diz Abel Conde Ribeiro, temendo que não haja tempo para pôr a funcionar esta mega-estrutura até ao início do ano lectivo e que quem venha a ser penalizado sejam os alunos.

“Eu não questiono o agrupamento, só pergunto porque não nos foi dado um ano, como aconteceu noutros concelhos para, com calma, pensarmos a unificação. Porquê esta pressão?”.

Além do funcionamento administrativo e pedagógico do mega-agrupamento, numa petição enviada, no passado dia 25, à ministra da Educação, a ?maioria? dos professores e funcionários da ESV questiona também os critérios que levaram à nomeação da presidente comissão instaladora do Agrupamento, a presidente do agrupamento vertical que já existia no sede do concelho.
“É um total desrespeito pela competência, trabalho, desempenho e dedicação pelo nosso director”, lê-se no documento enviado. Em vão. Anteontem, o director regional de Educação comunicou o despacho que determina a unificação de todas as escolas.

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