Casa do Douro: ministro da Agricultura recebido por 100 manifestantes na Régua

Perto de cem manifestantes receberam o ministro da Agricultura, no Peso da Régua, em protesto contra a proposta negocial apresentada pelo Governo à Casa do Douro (CD) denunciando uma “tentativa de assalto” ao património da instituição.

À porta do Solar do Vinho do Porto, dirigentes da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (Avidouro) e agricultores empunhavam cartazes onde se podia ler: “defender os interesses públicos da CD”, “cadastro é património da produção” ou “assalto aos poderes da CD e dos lavradores”.

A reação dos agricultores não foi imediata à chegada do ministro, muitos não o reconheceram, mas logo de seguida a dirigente da Avidouro, Berta Santos, tentou entregar um documento a António Serrano, que apesar de se recusar a receber o papel em mãos, pediu para ser entregue à assessora.

Abordado pelos jornalistas, o ministro apenas explicou que está a fazer uma visita de dois dias ao Douro, durante a qual vai contactar com associações, casos de sucesso na região e entidades locais.

Quanto à CD, António Serrano apenas referiu tratar-se de uma “relação de trabalho” com a qual tem sido mantido o “diálogo”.

“Atitude anti democrática”

Alguns dos manifestantes não gostaram de o ministro não ter recebido o documento em mãos considerando ter-se tratado de uma “atitude anti democrática”.

Berta Santos, por sua vez, pediu para que “seja devolvido o que pertence à CD”.

“Já chega de más politicas e de má vontade contra o Douro. Cerca de 40 mil famílias estão perto de entrar numa falência de que não há memória. É a machadada final.

“A CD está moribunda mas a responsabilidade é das más politicas que têm sido seguidas pelos sucessivos governos que têm retirado competências à instituição”, frisou.

Dívida de 110 milhões de euros

No acordo negocial entregue ao organismo duriense para o pagamento da dívida de 110 milhões de euros, o Governo propôs a entrega dos vinhos empenhados da CD ao Estado para a regularização da sua dívida.

Entretanto, a direção da instituição apresentou uma outra proposta, aprovada pelo Conselho Regional de Vitivinicultores, que reivindica alterações ao acordo negocial do Governo, relativamente ao cadastro ou aos custos de conservação dos vinhos que serão entregues ao Estado para pagamento da dívida.

Depois de uma reunião com a Associação de Empresas de Vinho do Porto, o governante seguiu para a sede da CD, para reunir com a direção e funcionários.

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