BE viaja de Mangualde a Aveiro pela EN16 e conclui que não é alternativa à A25
O Bloco de Esquerda (BE) promoveu hoje uma viagem de automóvel entre Mangualde e Aveiro usando a Estrada Nacional 16, para demonstrar que não existem alternativas à A25, uma das SCUT onde o Governo pretende colocar portagens.
A caravana bloquista demorou cerca de três horas e meia para percorrer os quase 130 quilómetros, a uma média de 50/60 quilómetros por hora, quando pela auto estrada o mesmo percurso demoraria pouco mais de uma hora, disse à Lusa o deputado do Bloco, Pedro Soares.
A viagem teve início na fábrica da Peugeot/Citroen, em Mangualde, onde os bloquistas dizem existir muitos trabalhadores que utilizam diariamente a A25.
“Se estes trabalhadores não quiserem ter um corte sério nos seus rendimentos vão ter de começar a usar a EN16”, adiantou Pedro Soares, para quem esta estrada “não tem quaisquer condições de mobilidade minimamente aceitáveis nos dias de hoje”.
“O traçado é mais do que centenário, a estrada é muito sinuosa, está em muito mau estado de degradação e não tem qualquer capacidade de aumento de carga”, justificou o deputado do Bloco.
Pedro Soares realça que a partir do momento em que houver portagens na A25 e que algum trânsito se desloque para a EN16, esta via “fica completamente incomportável”.
“Isto traz problemas de mobilidade, de segurança e até de qualidade de vida das populações que vivem ao longo daquela estrada”, afirma Pedro Soares, defendendo que é “perfeitamente irrazoável” colocar portagens na A25.
Numa nota que foi distribuída ao longo do percurso, os bloquistas dizem que se está perante um “retrocesso civilizacional” e afirmam que o partido continuará a colocar esta medida em causa no Parlamento, Assembleias Municipais e na luta social.
Os partidos PS e PSD chegaram na sexta-feira a acordo de princípio sobre as portagens nas SCUT (auto estradas sem custo para os utilizadores) e têm uma semana para acertar posições sobre os concelhos que estarão isentos ou terão descontos no pagamento de portagens.
A bancada social-democrata decidiu-se pela abstenção na revogação das portagens nas SCUT, uma posição que só foi assumida quando esteve assegurada a apresentação de uma proposta de alteração por parte do PS ao decreto-lei.
O diploma que introduz portagens em três das sete SCUT – do Grande Porto, Norte Litoral e Costa de Prata – vai agora ser discutido em comissão parlamentar de Obras Públicas.




