Vitória de Alonso envolta em polémica

O espanhol Fernando Alonso venceu este domingo de forma polémica o Grande Prémio da Alemanha, 11. prova do Mundial de Fórmula 1, onde o brasileiro Felipe Massa foi segundo, dando à Ferrari a segunda “dobradinha” da época.

Alonso, campeão do Mundo em 2005 e 2006, e Massa repetiram, assim, o resultado obtido pela “scuderia” no Grande Prémio do Bahrein, a prova que abriu a temporada, na qual os dois pilotos da Ferrari terminaram pela mesma ordem.

Mas desta vez com polémica, porque Massa, que liderava desde a largada, cedeu o comando a Alonso de forma estranha na 49. volta, aparentemente por indicação das “boxes”, o que é proibido desde 2002, mas era habitual na Ferrari nos tempos em que Michael Schumacher era o primeiro piloto.

Após alargar a trajetória e rodar tempo demais em terceira, Alonso registou 1.19 minutos na volta em causa, para logo a seguir voltar a uns “normais” 1.17.

A Ferrari não disse a Massa para deixar passar Alonso, que está à frente do companheiro no Mundial de Pilotos, mas o brasileiro terá compreendido o “recado” quando ouviu no rádio que o espanhol estava a ser mais rápido do que ele.

A manobra não passou despercebida aos comissários desportivos, que no final da corrida chamaram os responsáveis da Ferrari. “O diretor da equipa e o diretor desportivo são convidados a encontrarem-se imediatamente com os comissários da prova”, fez saber a Federação Internacional do Automóvel, em comunicado.

“Penso que não tenho nada a dizer sobre isso. Nós trabalhamos para a equipa”, limitou-se a comentar Massa, enquanto Alonso, que alcançou a 23ª vitória da carreira, frisou: “Eu vi-o ir um pouco mais lento e acelerei. Somos profissionais, tentamos fazer o melhor para a equipa”.

Segundo o espanhol, “em algumas partes da corrida” os dois pilotos da Ferrari lutaram “duramente pelo primeiro lugar”, o que “talvez fosse um pouco perigoso” porque Hockenheim é um circuito “difícil” para ultrapassar.

“Foi um grande resultado para a equipa, apenas temos de continuar assim”, reforçou Alonso, para quem o importante é que começa a sentir-se “confortável” com o carro.

Massa acabou por subir ao pódio no dia em que se completou um ano sobre o seu grave acidente na Hungria, onde sofreu uma fratura no crânio ao ser atingido por uma mola que se soltara do Brawn-Mercedes do compatriota Rubens Barrichello.

Fernando Alonso, segundo na qualificação de sábado, completou as 67 voltas ao circuito em 1:27.38,864 horas, à média de 209,788 km/h, terminando com 4,196 segundos de vantagem sobre Massa, que era o terceiro na grelha, mas assumiu a liderança na largada.

Sebastian Vettel, da Red Bull-Renault, largou mal da “pole position” e ainda tentou bloquear Alonso, mas caiu para terceiro e terminou nesta posição, a 5,121 segundos do espanhol, enquanto o quarto lugar de Lewis
Hamilton, a 28,896 segundos, permitiu ao inglês da McLaren-Mercedes manter o comando do Mundial.

O campeão do Mundo de 2008 tem agora com 157 pontos, mais 14 que o compatriota e companheiro de equipa Jenson Button, campeão em título, que foi quinto.

O terceiro no Mundial é o australiano da Red Bull-Renault Mark Webber, que passou a somar 136 pontos depois de hoje ter sido sexto, enquanto Vettel é quarto, em igualdade pontual, e Alonso quinto, com 123.

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