Cândido Barbosa acredita que pode cumprir o sonho de vencer a Volta a Portugal
Cândido Barbosa, eterno candidato à vitória na Volta a Portugal em bicicleta, quer concretizar este ano o sonho sempre adiado de vencer a maior prova velocipédica nacional.
“O objetivo é concretizar o sonho de vencer a Volta a Portugal. Penso que, este ano, esse sonho poderá tornar-se realidade”, disse à Lusa, assumindo-se como candidato à camisola amarela da corrida que vai estar na estrada entre 4 e 15 de agosto.
Nem o facto de estar no Palmeiras Resort-Prio-Tavira, que também é a equipa do espanhol David Blanco, o grande favorito para o triunfo nesta edição, parece perturbar o seu desejo de vencer, depois de dois segundos lugares (2005 e 2007) e um terceiro (2006).
“E se virmos isto do lado oposto? Eu também sou um candidato à Volta, poderei ser o adversário do David? Não. Dentro de uma equipa não há adversários, há colegas”, questionou.
Para o ciclista português é a estrada que vai definir a classificação geral: “Consoante forem aparecendo as dificuldades, há um de nós que vai ceder, e esse poderá ficar em segundo plano”.
Com a questão interna resolvida à partida, a verdadeira preocupação de Cândido Barbosa são os outros candidatos, como David Bernabéu, Rui Sousa, Santiago Pérez, Constantino Zaballa ou Sérgio Sousa.
Mas, para si, há espaço para surpresas: “O nível de convidados em termos de nomes de equipas não é o mais sonante, mas, por vezes, equipas de segundo plano são aquelas que vêm cá para ganhar e trazem ciclistas com muito bom nível, que não são conhecidos”.
Com 14 edições da Volta a Portugal nas pernas, na qual é o corredor em atividade com maior número de etapas ganhas, o “Foguete de Rebordosa” reconheceu que o nível da edição deste ano está um pouco abaixo do habitual.
“Não podemos dizer que é o pior pelotão, mas é o mais reduzido dos últimos tempos”. A culpa, garantiu, é da conjuntura económica e não da falta de talentos nacionais.
“Temos nomes jovens que se estão a afirmar com qualidade e potencial para, quem sabe, no futuro termos uma equipa nacional a poder competir com equipas internacionais, com um calendário internacional”, referiu.
Os 35 anos começam a pesar e as perguntas sobre uma eventual despedida do ciclismo começam a ser constantes.
“Fazem-me sentir mais velho do que aquilo que eu sou e fazem-me sentir que já não estou a ser útil na modalidade e isso não é verdade”, queixou-se, garantindo que se sente bem e que continua a ganhar provas, como o Troféu Joaquim Agostinho, este ano.
Para já, apesar de reconhecer que “é óbvio” que está mais próximo do fim de carreira do que do início, Cândido, de 36 anos, não tem planos de retirada. “Não me venho a correr com 40 anos. Mas quem sabe manter-me mais algum tempo, porque me sinto com tempo e força para tal”.
A sucessão, nas estradas e nas preferências dos portugueses, está, na sua opinião, assegurada: “O Tiago Machado, o Sérgio Paulinho, o Rui Costa têm um potencial muito grande, mas há outros para aparecer que poderão ser ainda mais fortes”.
“Há sucessores que poderão fazer melhor do que eu. Eu tenho uma característica única que é ter conseguido, ao longo da minha carreira, aperfeiçoar-me na montanha e no contrarrelógio. No início, era um puro sprinter”, admitiu.




