Freeport: PGR não encontra explicações para que Sócrates não tenha sido ouvido

O Ministério Público nomeou um inspector para apurar porque os investigadores do caso Freeport afinal não ouviram José Sócrates. Em entrevista ao Diário de Notícias, o Procurador-geral da República garante que não encontra explicações credíveis para não ter sido ouvido quem quer que seja.

Fernando Pinto Monteiro diz que nunca na vida conheceu um despacho igual ao escrito pelos procuradores Paes Faria e Vítor Magalhães sobre o caso Freeport. Foi desta forma que o PGR respondeu à pergunta feita pelo Diário de Notícias: se é normal incluir num despacho questões como as 27 que deviam ter sido feitas ao primeiro-ministro.

Pinto Monteiro diz ainda que os procuradores, nestes últimos seis anos de investigação, podiam ter ouvido quem quisessem, como e onde quisessem, por isso não há qualquer explicação para que os investigadores do Ministério Público não tenham ouvido José Sócrates.

Nesta entrevista, o Procurador-geral da República lembra que é urgente decidir se o Ministério Público deve ser autónomo ou se mantém o actual estado em que o PGR tem tão poucos poderes que “parece a rainha de Inglaterra”.

Pinto Monteiro também não poupa críticas ao sindicato dos magistrados do Ministério Público: diz que o Sindicato tenta substituir as instituições, que não é mais que um lobby de interesses pessoais que quer funcionar como um pequeno partido político.

Entretanto o PGR já nomeou um inspector para explicar o que se passou na investigação do Freeport. Além de querer saber porque não foram ouvidas todas as pessoas relevantes para o caso, o procurador quer também explicações sobre o abrandamento e demora das investigações.

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