Condenados pelos atentados contra o Presidente e primeiro ministro de Timor-Leste foram libertados
O tenente Gastão Salsinha e os restantes 23 arguidos no processo dos atentados contra o Presidente Ramos-Horta e o primeiro ministro, deixaram hoje a prisão, cumprindo o indulto presidencial.
A notícia foi avançada à Lusa pela ministra da Justiça de Timor-Leste, Lúcia Lobato, que disse ter sido informada nesse sentido pelo diretor dos Serviços Prisionais.
“Recebi a informação do diretor dos Serviços Prisionais de que os oficiais de Justiça entregaram a ordem judicial na prisão de Becora para que fossem soltos, pelo que o indulto concedido pelo Presidente da República foi executado hoje à tarde”, disse.
O Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, anunciou a concessão do indulto a Gastão Salsinha e aos restantes condenados no processo dos atentados de 2008 contra ele e o primeiro ministro, na cerimónia de comemoração do terceiro aniversário do atual governo, a 6 de agosto.
“Como Presidente da República quero indultar as pessoas já condenadas em processos relacionados com a crise (de 2006), concretamente os militares das F-FDTL Gastão Salsinha (tido como um dos líderes, a par do major Alfredo Reinado) e os outros condenados no mesmo processo. A compensação às vítimas e os indultos vão ajudar-nos a deixar o passado ser passado e a olhar o futuro com confiança”, justificou na ocasião.
O tenente Salsinha comandou o movimento de insurreição militar denominado “peticionários”, criado em 2006, e que levou a confrontos entre militares e polícias e a uma crise política e militar, que deixou dezenas de milhar de deslocados e obrigou à demissão do então primeiro ministro, Mari Alkatiri.
Em fevereiro de 2008, Ramos-Horta foi baleado na sua residência, numa operação em que morreu o major Reinado. No mesmo dia, a viatura do primeiro ministro foi atacada na estrada de acesso à sua casa.
Salsinha e os seus seguidores foram julgados e condenados no início de março pelo Tribunal Distrital de Díli, a penas de prisão entre os nove e meio e os 10 anos, considerando provada grande parte da acusação.




