Peso da Régua: Centro oftalmológico rastreia 50 diabéticos por dia
O centro oftalmológico da Régua está a rastrear meia centena de pacientes por dia à retinopatia diabética, no âmbito de um projeto inédito em Trás-os-Montes que permite tratar doentes diabéticos e também detetar outras patologias relacionadas com os olhos.
Logo ao início da tarde, os utentes juntam-se na sala de espera na unidade de oftalmologia do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD). A maior parte chega à Régua nos transportes gratuitos disponibilizados pelas câmaras do Douro Sul.
Aqui uma equipa de oftalmologistas, optometristas, técnicos de ortóptica, anestesista, enfermeiros e administrativos está preparada para avaliar o estado do paciente e encaminhar para tratamento.
Sem parar, os pacientes são primeiro vistos pelas optometristas que fazem a recolha do historial clínico, depois seguem para outra sala onde é feita a retinografia (imagem fotográfica do fundo do olho) e o médico faz o relatório. Em casos urgentes é possível fazer de imediato o tratamento laser da vista.
Etelvina de Fátima, 54 anos e residente em Lamego, descobriu que tinha diabetes em fevereiro. Esta semana foi à Régua fazer o rastreio e confessou que “está a ver cada vez pior, principalmente ao perto”.
“Às vezes dói-me muito a cabeça e se calhar preciso de usar óculos para ver ao perto. Vou ficar à espera do que os médicos me dizem”, salientou.
Também Adelaide Rebelo, 70 anos, veio de Lamego à Régua porque o seu médico de família a mandou para fazer “uns exames à vista”.
“O médico disse que continuasse a vir cá para ser controlada”, referiu.
Os pacientes dos oito concelhos do Douro Sul são os primeiros a fazerem o rastreio à retinopatia diabética no âmbito de um programa lançado pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte que, até 2012, vai ser alargado a todo este território.
O responsável pelo centro oftalmológico, o médico Sousa Nunes, referiu que cerca de cinco por cento dos utentes rastreados precisam de tratamento
Mas, salientou, também importante é o facto de, ao mesmo tempo, estarem a ser detetadas outras doenças relacionadas com a vista como as cataratas ou os glaucomas.
Segundo o médico, a cerca de 20 por cento dos pacientes são detetadas estas patologias. Estes depois são logo referenciados para uma segunda consulta para serem intervencionados.
Até outubro começam a ser rastreados os restantes pacientes da área de intervenção do CHTMAD, provenientes do Douro Norte e Alto Tâmega.
Segundo Sousa Nunes, neste território estão referenciados cerca de 25 mil doentes diabéticos.
O médico espera ainda que a adesão dos pacientes ao programa, que agora ronda os 70 por cento, chegue aos 90 por cento.
Até 2012, o programa será alargado a toda a região norte.
A ARS Norte prevê que seja feito o rastreio a 100 mil diabéticos por ano, num projeto que rondará os 6,7 milhões de euros.




